EDUCAÇÃO E DIREITO AUTORAL

Comissão aprova uso de material didático compartilhado por meio de licença aberta

Texto aprovado na CCJ prevê que recursos educacionais financiados com verba pública sejam disponibilizados sob licença aberta, ampliando o acesso ao conhecimento e equilibrando direitos autorais.

Publicado em 12/12/2025 às 15:38
CCJ aprova proposta que amplia o acesso a materiais didáticos por meio de licença aberta. Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou proposta que regula o uso de Recursos Educacionais Abertos (REA) na administração pública. Os REA são conteúdos educacionais compartilhados por meio de licenciamento aberto, permitindo acesso, adaptação, cópia, distribuição e transmissão das obras por estudantes de todos os níveis educacionais.

A proposta estabelece que recursos educacionais produzidos com financiamento público, total ou parcial, poderão ser classificados como REA. Quando digitais, esses conteúdos deverão ser disponibilizados em sites de acesso público e gratuito. Além disso, compras e contratações públicas para o desenvolvimento de materiais educacionais deverão prever a licença aberta da obra e sua inclusão em repositórios públicos.

A regra também se aplica a novas obras intelectuais de servidores públicos em regime de dedicação exclusiva ou parcial, incluindo professores e pesquisadores da rede pública e de universidades, garantindo o pagamento pela cessão de direitos autorais.

Licenciamento de livros de professores
Obras como livros de professores universitários poderão ter licenciamento exclusivo por até cinco anos a partir da primeira publicação. Após esse período de embargo, será possível adotar a licença aberta para o material.

O texto determina ainda que a administração pública incentive a criação de bibliotecas digitais e bancos de dados públicos.

Segundo a Portaria 451/18 do Ministério da Educação, recursos educacionais financiados com recursos públicos já devem ter licença aberta e, quando digitalizados, ser disponibilizados em plataformas online.

O texto aprovado é o substitutivo do relator, deputado Helder Salomão (PT-ES), ao Projeto de Lei 1513/11, do deputado licenciado Paulo Teixeira (PT-SP). O projeto original previa o uso livre para fins educacionais de toda obra intelectual subvencionada ou paga pela administração pública.

O relator incorporou sugestões da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) para equilibrar a proteção dos direitos autorais e a ampliação do acesso ao conhecimento. "Incorporamos ao texto os aperfeiçoamentos sugeridos por essas duas entidades, condensando", afirmou Helder Salomão.

Próximos passos
A proposta segue agora para o Plenário da Câmara. Para se tornar lei, o texto ainda precisará ser aprovado pelo Senado.