CASSAÇÃO NA CÂMARA

Motta aguarda parecer jurídico para decidir posse de suplente de Zambelli

Presidente da Câmara espera análise da assessoria antes de oficializar substituição após decisão do STF

Publicado em 13/12/2025 às 18:15
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), aguarda um parecer da assessoria jurídica da Casa para definir o futuro do mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) até segunda-feira, 15.

Segundo a equipe de Motta, a decisão em análise trata, sobretudo, da posse de Adilson Barroso (PL-SP) como suplente. O prazo de 48 horas dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à Câmara refere-se especificamente à posse do suplente, e não à cassação formal da titular.

A Primeira Turma do STF confirmou, nesta quarta-feira, 12, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a perda imediata do mandato de Zambelli. O colegiado também ratificou a ordem para que a Mesa da Câmara dê posse ao suplente em até 48 horas, conforme prevê o regimento interno.

A decisão do STF anulou a deliberação anterior da Câmara, que havia rejeitado a cassação de Zambelli — atitude considerada uma afronta ao Supremo. Na votação, foram 227 votos a favor da cassação, 170 contrários e dez abstenções. Eram necessários 257 votos para a perda do mandato.

Em seu voto, Moraes afirmou que a decisão da Câmara desrespeitou os princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade, além de configurar "flagrante desvio de finalidade".

O ministro destacou que a perda do mandato é automática em casos de condenação a pena em regime fechado superior ao tempo restante do mandato, pois o cumprimento da pena impede o exercício do mandato parlamentar.

Nesses casos, cabe apenas à Casa legislativa declarar o ato, sem necessidade de deliberação sobre sua validade.

Zambelli foi condenada pelo STF em maio por invasão de sistemas e adulteração de documentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A pena é de 10 anos de prisão em regime fechado, resultando na perda do mandato.

A deputada fugiu do país antes do prazo para recursos e atualmente está presa preventivamente na Itália, aguardando decisão sobre sua extradição.

A votação em plenário, ocorrida na madrugada da quinta-feira, 11, contrariou decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que havia aprovado a cassação na tarde do dia anterior.

Zambelli participou por videoconferência da sessão da CCJ, pedindo aos colegas que votassem contra sua cassação e alegando inocência e perseguição política. "É na busca da verdadeira independência dos Poderes que eu peço que os senhores votem contra a minha cassação", afirmou.

No plenário, a defesa ficou a cargo do advogado Fábio Pagnozzi, que apelou aos deputados: "Falo para os deputados esquecerem a ideologia e agir como seres humanos. Poderiam ser seus pais ou filhos numa situação dessas". O filho da parlamentar, João Zambelli, acompanhou a votação e completou 18 anos nesta quinta-feira.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), defendeu a cassação: "Estamos aqui para votar pela cassação que já deveria ter acontecido há muito tempo".

O PL tentou evitar a cassação, apostando que Zambelli perdesse o mandato por faltas, o que manteria sua elegibilidade. Caso o mandato fosse cassado, ela ficaria inelegível pelo tempo da pena mais oito anos, podendo disputar eleições apenas a partir de 2043. Estratégia semelhante foi adotada em relação a Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também pode ter o mandato cassado pela Mesa Diretora.