SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Mulher de Moraes representa Banco Master em investigação relatada por Dias Toffoli no STF

Viviane Barci de Moraes atua como advogada do Banco Master em inquérito sobre crimes no mercado de capitais; caso tramita sob sigilo no STF.

Publicado em 22/01/2026 às 10:44
Viviane Barci de Moraes Reprodução / Agência Brasil

Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, representa o Banco Master em um inquérito que investiga o empresário Nelson Tanure por supostos crimes contra o mercado de capitais. O processo está sob relatoria do ministro Dias Toffoli, após a Justiça Federal de São Paulo remeter o caso ao STF por conexão com a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraudes financeiras atribuídas ao banco.

O inquérito tramita em segredo de Justiça, e o Banco Master figura como parte interessada. Procurado, o escritório Barci de Moraes Advogados não respondeu aos questionamentos da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.

Em despacho de 16 de janeiro, a juíza Maria Isabel do Prado declarou-se incompetente para seguir com o inquérito ao identificar vínculo entre os fatos investigados e aqueles apurados na Operação Compliance Zero. Segundo a magistrada, havia elementos que indicavam conexão, justificando a remessa do caso ao STF e a aplicação do instituto da conexão, que determina a distribuição por prevenção ao ministro já responsável por processos correlatos.

O inquérito apura se Tanure teria utilizado informações privilegiadas para obter vantagem na negociação de ações da Gafisa, prática conhecida como insider trading. Embora o Banco Master não seja alvo direto, a instituição aparece como parte interessada, pois a investigação analisa a atuação de fundos ligados ao banco nas operações sob suspeita. Viviane Barci de Moraes acompanha o caso como representante do banco.

O advogado Pablo Naves Testoni, defensor de Tanure, afirmou que o Ministério Público Federal citou o Banco Master ao apresentar a denúncia na Justiça Federal de São Paulo, ainda que de forma genérica. "Ao fazer isso, por obrigação processual, abriu a necessidade de resolução sobre eventual conexão probatória. Nesse sentido, foi feito o pedido em nome do empresário", declarou. Ele acrescentou que essa análise agora precisa ser enfrentada por exigência legal.

Se o inquérito avançar e for levado ao plenário do STF, Alexandre de Moraes poderá votar na análise do caso. A atuação do escritório de advocacia do qual Viviane Barci de Moraes e os dois filhos do ministro são sócios passou a ser questionada após a revelação de um contrato de R$ 129 milhões firmado com o Banco Master.

Levantamento do Estadão/Broadcast mostrou que a atuação de Viviane Barci de Moraes no STF e no STJ aumentou significativamente após a posse de Alexandre de Moraes no Supremo, com o número de processos sob sua participação saltando de 27 para 152.

Em 6 de janeiro, Tanure teve o patrimônio bloqueado por decisão de Toffoli, que apontou indícios de que o empresário seria beneficiário de um fundo supostamente utilizado em esquema de fraudes para desviar recursos e favorecer sócios ocultos do Banco Master. O controlador do banco, Daniel Vorcaro, também é investigado.

Tanure foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada recentemente. Os investigadores o apontam como suposto "sócio oculto" do banco.

A defesa do empresário afirma que ele "jamais estabeleceu qualquer relação de natureza societária com o Banco Master, do qual foi cliente nos últimos anos, nas mesmas condições em que foi e segue sendo atendido por outras instituições financeiras conhecidas no mercado".