JUSTIÇA

PGR defende manutenção da prisão de Filipe Martins por uso de rede social

Procuradoria afirma que defesa não comprovou inexistência de acesso ao LinkedIn e reforça necessidade de prisão preventiva

Publicado em 26/01/2026 às 13:17
PGR defende manutenção da prisão de Filipe Martins por uso de rede social Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a manutenção da prisão de Filipe Martins , ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, os documentos apresentados pela defesa não comprovaram que Martins deixou de aceder à rede social LinkedIn.

A manifestação ocorreu após pedido da defesa de Martins ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para que a PGR se pronunciasse nos autos. Moraes concedeu prazo de 15 dias ao Órgão, cujo parecer foi apresentado no último sábado, 24.

“Verifica-se a existência de prova documental que atesta o acesso do réu à rede social LinkedIn no dia 28.12.2025, conduta que configura violação à medida cautelar introduzida pelo juízo em 26.12.2025”, escreveu Gonet. Segundo ele, “diante do descumprimento das obrigações impostas, a liberdade do réu revela-se insuficiente para a garantia da ordem processual”.

O procurador-geral reforçou ainda que, “dada a permanência dos motivos que fundamentaram a decretação da prisão preventiva e a inexistência de factos novos que alteram o quadro fático-probatório que embasou a medida, não há que se cogitar da sua revogação ou relaxamento”.

A defesa contesta essa interpretação. Para o advogado Ricardo Scheiffer, a decisão se baseia em elementos frágeis. “Causa perplexidade que uma mera captura de tela não verificável e sem nenhuma cadeia de custódia seja considerada suficiente para sustentar a prisão preventiva, enquanto os documentos oficiais apresentados pela defesa são sumariamente desqualificados sem perícia conclusiva.

A prisão preventiva de Martins foi decretada por Moraes após a identificação de um suposto acesso do investigado à rede social LinkedIn, conduta considerada incompatível com as medidas cautelares impostas pela Corte. A defesa, no entanto, sustenta que Martins não utilizava a plataforma desde 2024, antes da imposição da concessão do uso de redes sociais.

O ex-assessor foi preso em 2 de dezembro, em Ponta Grossa (PR), onde cumpriu prisão domiciliar determinada pelo Supremo.

Martins foi condenado pelo STF, em 16 de dezembro, a 21 anos e seis meses de prisão por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023. A decisão ainda não transitou em julgada e, portanto, é passível de recurso.