SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Gilmar Mendes defende Toffoli após críticas por atuação no caso Banco Master

Decano do STF destaca compromisso constitucional de Toffoli e reforça importância da independência judicial em meio a suspeitas de conflito de interesse.

Publicado em 26/01/2026 às 14:18
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes Reprodução

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, saiu em defesa do ministro Dias Toffoli nesta segunda-feira (26) diante das críticas à condução do caso envolvendo o Banco Master. Em publicação na rede social X, Gilmar afirmou que o colega tem trajetória marcada pelo compromisso com a Constituição.

Segundo Mendes, a atuação de Toffoli no processo segue os parâmetros do devido processo legal e já foi analisada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou regular sua permanência na relatoria. O decano ressaltou ainda que a preservação da independência judicial e o respeito às instâncias institucionais são essenciais para a confiança da sociedade nas instituições.

A manifestação ocorre em meio à repercussão das suspeitas de conflito de interesse atribuídas a Toffoli. Em entrevista exclusiva ao Estadão, publicada nesta segunda, o presidente do STF, Edson Fachin, evitou comentar condutas individuais de colegas, incluindo a atuação de Toffoli no processo do Banco Master.

Na mesma entrevista, Fachin voltou a defender a criação de um código de ética para as Cortes superiores. Segundo ele, o debate ganhou força justamente após as suspeitas envolvendo Toffoli. O presidente do STF afirmou que, ou a Corte se "autolimita", ou "poderá haver limitação de um Poder externo". Apesar da resistência de parte dos ministros, Fachin disse haver maioria favorável à adoção de um código de conduta.

Na semana passada, Fachin divulgou uma nota defendendo a Corte de críticas e afirmou que "eventuais vícios ou irregularidades alegados serão examinados nos termos regimentais e processuais". No texto, também declarou que Toffoli vem "atuando na regular supervisão judicial".

Gilmar Mendes já havia se manifestado na última quinta-feira (22), nas redes sociais, em defesa da PGR, que decidiu arquivar o pedido de afastamento de Toffoli da relatoria do caso.

Como mostrou o Estadão, o tema da eventual suspeição de Toffoli é tratado com cautela na cúpula da PGR. A avaliação de integrantes do órgão é que pedidos desse tipo dificilmente prosperariam no STF e que tentativas semelhantes feitas durante a Operação Lava Jato tiveram resultado considerado "desastroso". Por isso, uma provocação formal só ocorreria caso surgissem elementos probatórios nos autos, para além de reportagens já publicadas.

Toffoli tem acumulado decisões e relações contestadas em um mês e meio de relatoria do caso Master no STF. Entre outras ações, o ministro tomou decisões que geraram interferências no trabalho da Polícia Federal (PF), responsável pela investigação, e, mais recentemente, foi questionado pela proximidade de seus parentes com alvos da ação.

O Estadão revelou que um dos investigados, Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, comprou a participação dos irmãos do ministro em um resort no Paraná. A sede da empresa está registrada no endereço residencial de um dos irmãos de Toffoli, e a cunhada do ministro afirmou ao Estadão que o marido nunca foi dono do resort. Antes disso, Toffoli já vinha sendo criticado por ter viajado em um jatinho particular com o advogado do Master, Augusto Arruda Botelho, para assistir à final da Libertadores em Lima, no Peru.