CRISE POLÍTICA NO DF

Caso Master: oposição aciona Câmara Legislativa do DF e STJ contra Ibaneis Rocha

Partidos pedem impeachment e investigação de Ibaneis após denúncias envolvendo o Banco de Brasília e o Banco Master

Publicado em 27/01/2026 às 12:56
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A oposição ao governo do Distrito Federal intensificou suas ações contra o governador Ibaneis Rocha (MDB), protocolando pedidos de impeachment e solicitações de investigação junto à Câmara Legislativa do DF (CLDF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na última sexta-feira (23), PSB e Cidadania apresentaram requerimentos de impeachment contra Ibaneis na CLDF. No mesmo dia, o PSOL protocolou uma representação própria. As iniciativas ocorreram após o Estadão revelar que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em depoimento à Polícia Federal ter tratado pessoalmente com o governador sobre a venda do banco ao Banco de Brasília (BRB).

Posteriormente, Ibaneis confirmou o encontro com Vorcaro, mas negou ter discutido a venda do Banco Master ao BRB. "Entrei mudo e saí calado", declarou o governador.

A reportagem procurou o governo do Distrito Federal, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

O avanço das representações na CLDF depende da decisão do presidente da Casa, deputado distrital Wellington Luiz (MDB), aliado de Ibaneis. Ele afirmou que os pedidos têm "caráter político" e estão relacionados ao calendário eleitoral: "Em princípio, a impressão que eles trazem é que, por ser um ano eleitoral, é óbvio que esses partidos, partidos da oposição declarada, marquem posição", declarou ao Valor Econômico.

Segundo Wellington Luiz, os pedidos estão sob análise da Procuradoria da Câmara, responsável por verificar se os requerimentos cumprem os requisitos formais para tramitação. Ele acrescentou que Ibaneis ainda não se reuniu com a base aliada para tratar do caso, mas um encontro está previsto para após a retomada dos trabalhos legislativos, marcada para 3 de fevereiro.

Paralelamente, cinco partidos — PT, Rede, PDT, PCdoB e PV — protocolaram nesta segunda-feira (26) no STJ uma notícia de fato solicitando a apuração de possíveis crimes comuns e atos de improbidade administrativa atribuídos ao governador no contexto do caso BRB-Master. As siglas também pedem o afastamento de Ibaneis do cargo para evitar interferências e garantir a lisura das investigações.

Com o protocolo, caberá ao STJ encaminhar o pedido ao Ministério Público Federal (MPF), responsável por analisar a abertura de investigação. Para a senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), o afastamento do governador é fundamental para assegurar transparência: "A gente precisa afastá-lo. Precisamos de transparência, para que a investigação transcorra sem nenhuma influência política", afirmou.

Além da iniciativa no STJ, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL) solicitou ao MPF a abertura de investigação contra Ibaneis e o bloqueio de seus bens. A oposição também prepara novo pedido de impeachment, a ser protocolado com a retomada dos trabalhos legislativos.

O caso do Banco Master tramita atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que avocou o processo após o nome do deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) ser citado em documentos apreendidos. O processo, que estava no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), foi transferido ao STF a pedido da defesa de Daniel Vorcaro, alegando a existência de autoridade com foro privilegiado.

O Estadão também revelou que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e um dos investigados, adquiriu a participação dos irmãos do ministro Toffoli em um resort no Paraná. A sede da empresa está registrada no endereço residencial de um dos irmãos do ministro, e a cunhada de Toffoli afirmou ao Estadão que o marido nunca foi dono de resort. Anteriormente, Toffoli já havia sido alvo de críticas por viajar em um jatinho particular com o advogado do Master, Augusto Arruda Botelho, para assistir à final da Libertadores em Lima, no Peru.