Comissão aprova exigência de receita médica para venda de antibióticos veterinários
Projeto de lei visa controlar uso de medicamentos e combater resistência bacteriana no setor agropecuário
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3560/25, que torna obrigatória a apresentação de receita médica para a compra de antibióticos de uso veterinário. A medida, aprovada em novembro, busca conter o uso indiscriminado desses medicamentos no setor agropecuário e evitar o surgimento de bactérias super-resistentes.
Pelo texto, estabelecimentos como casas agropecuárias, clínicas veterinárias e pet shops só poderão vender antimicrobianos mediante prescrição de um médico-veterinário habilitado. Além disso, a receita deverá ser retida pelo estabelecimento no momento da venda, conforme regulamentação futura.
Saúde pública
O relator da proposta, deputado José Medeiros (PL-MT), destacou que a medida é estratégica para a saúde animal e a saúde pública. “Ao condicionar a venda de antibióticos de uso veterinário à prescrição por profissional habilitado e à retenção da receita, promove-se maior controle do uso desses medicamentos, sem inviabilizar seu acesso quando realmente necessário”, afirmou.
Medeiros também ressaltou que o maior controle sobre esses medicamentos alinha o Brasil às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e protege a reputação da carne brasileira no mercado internacional.
O autor do projeto, deputado Pedro Westphalen (PP-RS), argumenta que o combate à resistência antimicrobiana é um passo essencial diante de uma ameaça reconhecida globalmente. “O uso indiscriminado de antibióticos na saúde humana e na produção animal industrial favorece o aumento de microrganismos multirresistentes e é um problema de saúde pública global que ameaça a eficácia dos tratamentos de infecções”, justificou.
De acordo com a OMS, 1,3 milhão de pessoas morreram no mundo em 2019 por causas atribuídas à resistência antimicrobiana.
Próximas etapas
A proposta seguirá para análise, em caráter conclusivo, pelas comissões de Saúde; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.