Projeto de lei assegura uso de marca após longa utilização sem oposição
Proposta em análise na Câmara protege pequenos negócios que utilizam marcas de forma consolidada, mesmo sem registro oficial, desde que não haja prejuízo e a distância geográfica seja significativa.
O Projeto de Lei 512/25 propõe alterações na Lei de Propriedade Industrial para garantir proteção a quem utiliza uma marca por longo período, mesmo sem registro oficial. A medida visa permitir que comerciantes mantenham o nome de seus negócios em casos de uso prolongado e sem contestação do titular da marca registrada. O texto está em análise na Câmara dos Deputados.
De acordo com a proposta, o direito será reconhecido quando houver grande distância geográfica entre as empresas envolvidas e se o titular do registro oficial tiver demorado a agir. Além disso, será necessário comprovar que o uso do nome pela outra empresa não resultou em prejuízos financeiros.
Proteção a pequenos negócios
O autor do projeto, deputado Jonas Donizette (PSB-SP), destaca que a iniciativa busca proteger especialmente microempresas e pequenos empreendedores. Segundo ele, muitos desses negócios utilizam uma marca de forma consolidada em sua região, mas enfrentam o risco de perdê-la para grandes corporações que registraram o nome, mas não atuam localmente.
"O uso legítimo e contínuo de uma marca deve ser protegido, pois reflete o investimento, o esforço e a confiança do empreendedor na marca que construiu", afirma Donizette na justificativa.
O parlamentar argumenta que, quando as lojas estão distantes, não há concorrência direta nem risco de confusão ao consumidor. O objetivo do projeto é garantir segurança jurídica e evitar ações que prejudiquem o comércio local.
Jurisprudência
Na justificativa, o autor cita decisão recente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que autorizou a convivência de duas marcas idênticas (pizzarias) em cidades diferentes. O tribunal negou o pedido de exclusividade, considerando o uso de boa-fé por 30 anos e a demora do titular do registro em reclamar.
Próximos passos
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada pelas comissões de Indústria, Comércio e Serviços; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.