INVESTIGAÇÃO PARLAMENTAR

CPMI do INSS convoca dono do Banco Master para depor nesta quinta-feira

Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, deverá explicar descontos em folha sem autorização e contratos de consignados suspensos pelo INSS.

Publicado em 30/01/2026 às 10:59
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é convocado pela CPMI do INSS para explicar descontos sem autorização. Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que o colegiado convocou o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para prestar depoimento na próxima quinta-feira (5).

Segundo Viana, Vorcaro deverá explicar à comissão como mantinha descontos em folha de pagamento sem autorização dos aposentados e quais providências tomou para devolver os valores descontados de forma irregular.

“Precisamos que um banqueiro que envolveu metade da República e do próprio Parlamento, acusado de um desfalque bilionário no país, seja obrigado a falar e explique aos 250 mil aposentados como mantinha os descontos em folha sem autorização e o que fez para devolver esse dinheiro de quem não tinha essa confirmação”, afirmou o senador.

De acordo com o parlamentar, a convocação ocorreu devido aos contratos de empréstimos consignados do Banco Master, que foram suspensos pelo INSS por falta de comprovação documental da anuência dos beneficiários.

“Como Vorcaro conseguiu manter esses descontos sem uma autorização formal das pessoas e quais medidas ele tomou pelo banco para não cobrar mais? Ele terá que nos dar essas explicações”, reforçou Viana.

Calendário
Além de Vorcaro, a CPMI também convocou para depor na mesma data Luiz Félix Cardamone Neto, ex-presidente do BMG. O atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, também poderá ser ouvido no dia 5.

Carlos Viana informou que os parlamentares devem realizar ainda 11 reuniões de tomada de depoimentos até o dia 19 de março.

A leitura do relatório final, sob relatoria do deputado Alfredo Gaspar (União-AL), está prevista para 23 de março, com votação do texto marcada para 26 de março.

Pedido de prorrogação
O presidente da CPMI pretende solicitar a prorrogação dos trabalhos do colegiado por mais 60 dias, já que o prazo original termina em 28 de março.

Viana afirmou que deve se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para apresentar o pedido e as assinaturas dos parlamentares favoráveis à extensão das investigações.

“Temos mais de 200 nomes convocados pela CPMI e estamos fazendo uma seleção. Na semana que vem, os líderes estarão em Brasília e farão sua contribuição assinando o pedido de prorrogação”, explicou.

Carlos Viana destacou ainda que a comissão busca reverter um habeas corpus concedido ao empresário Maurício Camisotti.

Preso desde setembro por suspeita de envolvimento no esquema de descontos indevidos em aposentadorias, Camisotti está amparado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou facultativo seu comparecimento à CPMI.

“Não há nenhuma possibilidade constitucional de a pessoa decidir se quer vir ou não. Isso foi uma surpresa desagradável para nós”, criticou Viana sobre a decisão do STF.