ELEIÇÕES

PSD dá guinada à direita, articula filiações de governadores e prepara candidatura presidencial alternativa

Em Alagoas, guinada nacional do PSD provoca desconforto interno e pode forçar aliados do governo Lula a buscar novo abrigo partidário

Por Redação Publicado em 31/01/2026 às 20:46
Governadores Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior fazendo pose para as lentes de Kassab: guinada do PSD

O Partido Social Democrático (PSD) vive uma inflexão estratégica no cenário nacional. Sob a liderança de Gilberto Kassab, a legenda passou a articular a filiação de governadores identificados com a direita — movimento que inclui Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite — com o objetivo de lançar um nome competitivo à Presidência da República nas eleições de outubro. O gesto marca uma guinada do PSD e reorganiza o tabuleiro da direita, especialmente diante da insatisfação de parte do eleitorado conservador com a indicação de Flávio Bolsonaro para representar o pai no pleito presidencial.


Alternativa à direita e protagonismo nacional



A estratégia de Kassab mira um vácuo político: eleitores de direita que rejeitam a sucessão familiar e buscam um perfil com experiência executiva, discurso moderado e capacidade de diálogo. Nesse contexto, Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite despontam como quadros com visibilidade nacional, currículos administrativos robustos e potencial de aglutinação. A ideia é oferecer ao eleitorado uma terceira via à direita, fora do eixo bolsonarista tradicional.


Efeito colateral: estados ficam engessados



O movimento, porém, traz consequências relevantes nos estados. A legislação eleitoral veda a neutralidade partidária regional quando há decisão nacional: uma vez definido o candidato à Presidência, as direções estaduais do PSD ficam obrigadas a segui-lo. Isso tende a engessar alianças locais, frustrando lideranças que contavam com liberdade para composições regionais distintas.


Alagoas entra na zona de desconforto



Alagoas é um dos casos mais sensíveis. No estado, o PSD mantém aliança e alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a guinada nacional à direita e a provável candidatura presidencial própria, dirigentes e filiados alagoanos passam a enfrentar um dilema: seguir a orientação nacional — rompendo com o campo governista — ou migrar para outras legendas para preservar o alinhamento político local.


Reacomodação em curso



A movimentação do PSD também dialoga com quadros oriundos do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), ampliando o alcance da articulação e sinalizando uma reconfiguração mais ampla do centro-direita. Nos bastidores, a leitura é clara: a decisão presidencial redefine palanques, impõe disciplina partidária e acelera a dança das cadeiras nos estados.

Com a engrenagem em movimento, o PSD assume risco calculado para ganhar protagonismo nacional. Se, por um lado, amplia suas chances na corrida presidencial ao oferecer nomes fortes, por outro provoca tensões regionais e obriga bases estaduais — como a de Alagoas — a rever estratégias e alianças. O jogo segue aberto, mas a guinada já mudou o eixo da disputa.