POLÍTICA NACIONAL

Rui Costa afirma que encontro de Lula com dono do Banco Master não inviabiliza presidente

Ministro da Casa Civil defende diálogo amplo e diz que presidente precisa ouvir diferentes setores da sociedade, inclusive instituições financeiras.

Publicado em 02/02/2026 às 18:26
Rui Costa Reprodução

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou nesta segunda-feira (2) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pode ser "inviabilizado" por ter se reunido com o dono do Banco Master. Segundo Costa, é fundamental que o presidente mantenha diálogo com diversos setores da sociedade, incluindo representantes de instituições financeiras.

"Se um presidente quer governar de forma democrática, ele tem que estar aberto à sua agenda e ouvir representantes dos diversos segmentos: financeiros, produtivos, de representação de classe, de movimentos sociais. A agenda do presidente é recheada desses encontros. Se algum ator que, ao longo do tempo, representa algum segmento, vier a cometer erros, isso não inviabiliza o presidente", declarou Rui Costa no Congresso Nacional.

O ministro ressaltou que Lula recebe "todos os atores econômicos" para tratar de assuntos institucionais e destacou que, na agenda presidencial, não há distinção entre banqueiros, bancários ou representantes de movimentos sociais.

"Um presidente da República recebe, institucionalmente, todos os atores econômicos. O presidente recebeu vários presidentes de bancos, tantos para tratar de assuntos institucionais, como empresários do setor industrial, da agricultura e representantes de entidades, como o MST e outros", afirmou Rui Costa.

Em dezembro de 2024, Lula e o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo — à época diretor de Política Monetária da autarquia —, tiveram um encontro fora da agenda com Vorcaro, proprietário do Banco Master. Na reunião, Vorcaro reclamou a Lula sobre a concentração bancária no país. O presidente respondeu que o tema deveria ser tratado pelo Banco Central.

Rui Costa evitou comentar a atuação do Banco Central diante da crise do Banco Master, limitando-se a dizer que a autarquia conta com técnicos experientes e que não seria apropriado fazer julgamentos sem conhecer os detalhes do caso.

"Ali tem gente concursada e muito experiente que avalia, cotidianamente, a situação financeira de todas as instituições financeiras. Seria leviano fazer um julgamento sem ter os elementos fundamentais", pontuou o ministro.

O chefe da Casa Civil também afirmou que o Palácio do Planalto não deve interferir na decisão sobre a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as fraudes no Banco Master. Segundo Rui Costa, o Executivo optou por investigar os envolvidos no escândalo por meio do Banco Central e de órgãos como a Polícia Federal (PF).

"Eu não acho que o Executivo tenha que interferir na definição (da CPI), se monta ou não monta. Cabe aos parlamentares, deputados e senadores escolherem qual é o melhor caminho. O Executivo já escolheu qual caminho, que é da apuração de responsabilidades, repito, administrativas, através do Banco Central, polícias investigativas e através da Polícia Federal", concluiu Rui Costa.