JUSTIÇA ELEITORAL

Marçal é condenado a indenizar Boulos em R$ 100 mil por fake news nas eleições de SP

Empresário terá de pagar indenização por danos morais após associar adversário ao uso de drogas durante campanha eleitoral em São Paulo.

Publicado em 02/02/2026 às 19:17
Pablo Marçal Reprodução

O empresário Pablo Marçal (PRTB) foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 100 mil em indenização por danos morais ao atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), por divulgar notícias falsas que vinculavam o adversário ao uso de drogas durante a disputa pela Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2024.

Procurado por meio de sua assessoria, Marçal não se manifestou sobre a decisão.

Durante a campanha, Marçal e Boulos concorreram à Prefeitura de São Paulo em uma disputa marcada por ataques pessoais do ex-coach ao candidato do PSOL. Em debates eleitorais, Marçal fez gestos insinuando o uso de drogas e chegou a se referir a Boulos como "cheirador" e "aspirador de pó". Tais acusações também foram replicadas em publicações nas redes sociais.

A sentença foi proferida pelo juiz Danilo Fadel de Castro, que julgou parcialmente procedente a ação movida por Boulos. O magistrado considerou que as declarações de Marçal extrapolaram os limites da crítica política, atingindo a honra do então candidato do PSOL.

Além da indenização, Marçal foi condenado ao pagamento das custas e despesas processuais, bem como honorários advocatícios fixados em 15% sobre o valor atualizado da condenação.

Durante o período eleitoral, Marçal já havia sido multado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo em razão de declarações contra Boulos. Às vésperas da eleição, o então candidato do PRTB também publicou em seu perfil no Instagram um laudo falso, no qual atribuía ao adversário um suposto encaminhamento para emergência psiquiátrica em 2021 por uso de cocaína.

A imagem, removida da rede social cerca de uma hora após a publicação, simulava um receituário médico e mencionava um "surto psicótico grave", com "delírio persecutório e ideias homicidas". A campanha de Boulos desmentiu a informação, confirmando que se tratava de conteúdo falso.