Lula pretende enviar projeto para acabar com escala 6x1 em regime de urgência
Governo estuda acelerar tramitação de proposta que prevê o fim da jornada 6x1, promessa de campanha de Lula, e busca consenso no Congresso.
O governo federal quer acelerar a votação da proposta que prevê o fim da jornada de trabalho 6x1, uma das principais bandeiras de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a reeleição. Para isso, deve encaminhar à Câmara dos Deputados um projeto de lei em regime de urgência constitucional, alternativa atualmente em estudo pelo Palácio do Planalto para apressar a análise do tema.
"Estamos avaliando essa possibilidade, sim", afirmou a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Pela Constituição, projetos em regime de urgência devem tramitar em até 45 dias na Câmara e mais 45 dias no Senado.
O governo teme que o escândalo envolvendo o Banco Master, que tem conexões políticas, possa dificultar as votações no Congresso em um ano eleitoral mais curto. No segundo semestre, deputados e senadores devem adotar um "recesso branco" para se dedicarem às campanhas eleitorais.
Na mensagem enviada por Lula ao Congresso nesta segunda-feira (2), com as prioridades do governo para 2026, o fim da escala 6x1 aparece como um dos "desafios" do Executivo, ao lado de outros projetos, como a regulação do trabalho por aplicativos e a PEC da Segurança Pública.
Atualmente, tramitam no Congresso quatro propostas de emenda à Constituição (PECs) e um projeto de lei sobre o tema, mas ainda não há consenso quanto à carga horária semanal de trabalho. "Acho que é melhor tentarmos juntar as propostas e enviar um novo texto", sugeriu o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).
Nesta quarta-feira (4), Lula irá oferecer um churrasco na Granja do Torto ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e aos deputados que lideram as bancadas dos partidos aliados.
A confraternização tem como objetivo alinhar estratégias para as votações dos próximos meses, após um ano marcado por turbulências no Congresso.