Relator da CPMI do INSS pede convocação de Lulinha e quebra de sigilos bancário e fiscal
Alfredo Gaspar afirma haver indícios de núcleo político e financeiro ligado a desvios bilionários contra aposentados e pensionistas
O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil), apresentou nesta segunda-feira (2) um conjunto de requerimentos que ampliam o alcance das investigações sobre um esquema de fraudes bilionárias envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários. Entre as medidas solicitadas está a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além da quebra de seus sigilos bancário e fiscal, com acesso a Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a dados da Receita Federal.
Os pedidos também alcançam Danielle Miranda Fonteles; Adroaldo Cunha Portal, ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Social; e Roberta Moreira Luchsinger. De acordo com o relator, os três são apontados pela Polícia Federal como integrantes do núcleo político e financeiro do esquema investigado pela CPMI.
Segundo Alfredo Gaspar, a iniciativa se baseia em decisões judiciais e em elementos considerados robustos pelas investigações da Polícia Federal. Os indícios apontam para a atuação de uma organização criminosa responsável por desvios de grandes proporções contra aposentados e pensionistas do INSS, utilizando empresas de fachada, mecanismos de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Mensagens interceptadas durante as apurações indicariam que parte dos valores desviados teria como destino final “o filho do rapaz”, expressão que, segundo o relator, seria uma referência direta a Lulinha.
Ainda conforme os requerimentos, há suspeitas de obstrução de Justiça, transferências financeiras sem justificativa econômica e viagens de luxo supostamente custeadas por operadores do esquema. Em declaração, Alfredo Gaspar afirmou que as investigações revelam um cenário preocupante de proximidade entre agentes políticos, empresários e operadores financeiros. “Há indícios de uma atuação coordenada para manter os descontos fraudulentos e proteger interesses envolvidos nesse escândalo”, declarou.
O relator também criticou o que classificou como tentativas de blindagem no Congresso Nacional. Segundo ele, episódios registrados durante sessões da CPMI indicariam resistência de setores governistas às convocações. Alfredo Gaspar afirmou que continuará apresentando novos requerimentos e cobrando a oitiva de todos os citados. “A sociedade precisa de respostas. Quem tiver relação com esse esquema deve prestar esclarecimentos”, concluiu.