CONGRESSO NACIONAL

Governadores ausentes levam CPI do Crime Organizado a cancelar sessão; presidente mira Ibaneis

Falta de Cláudio Castro e Ibaneis Rocha adia trabalhos; Contarato quer convocar governador do DF de forma obrigatória

Publicado em 03/02/2026 às 11:00
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A sessão da CPI do Crime Organizado prevista para esta terça-feira, 3, foi cancelada após a ausência dos governadores do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Ambos foram convidados, mas a presença não era obrigatória.

Diante do esvaziamento, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), anunciou que irá pautar a convocação formal de Ibaneis Rocha. O governador do DF havia informado que enviaria o secretário executivo de Segurança Pública, Sandro Avelar, mas quem compareceu foi Alexandre Patury, o segundo na hierarquia da pasta.

Ao contrário do convite, a convocação obriga o comparecimento do depoente à CPI, sob risco de incorrer em crime de responsabilidade, o que pode motivar pedido de impeachment.

"Diante disso, indico o Secretário de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, para representar este Ente Federativo e prestar as informações relativas ao modelo de segurança pública e às ações de enfrentamento ao crime organizado no Distrito Federal", declarou Ibaneis em ofício encaminhado à comissão.

Já Cláudio Castro justificou a ausência alegando "compromisso internacional de agenda oficial".

Envolvido no escândalo do Banco Master, Ibaneis Rocha tem mantido discrição em sua agenda. Ele não participou da abertura do ano do Judiciário no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 2, mas negou que a ausência seja motivada por constrangimento.

Em depoimento à Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ter conversado "algumas vezes" com Ibaneis sobre a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) e relatou que o governador esteve pessoalmente em sua residência.

Ibaneis foi o primeiro político citado por Vorcaro nas investigações em curso no STF. O governador nega qualquer conversa sobre o negócio BRB-Master com o banqueiro.

No Congresso, Ibaneis também é pressionado pela possibilidade de uma CPI para apurar o caso Master. O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), adversário político e ex-governador do DF, protocolou nesta segunda-feira o primeiro requerimento para investigação do esquema na Câmara dos Deputados.

O PSB deve lançar Ricardo Cappelli como candidato ao governo do DF nas próximas eleições.

O pedido de CPI na Câmara busca investigar os R$ 12,2 bilhões pagos pelo BRB ao Master entre janeiro e junho de 2025, sendo R$ 6,7 bilhões referentes a carteiras falsas e R$ 5,5 bilhões em prêmios. O requerimento já conta com 201 assinaturas, superando o mínimo necessário de 171 apoios.