CONGRESSO NACIONAL

Pedido de criação da CPMI do Banco Master é protocolado no Congresso

Com apoio de 42 senadores e 236 deputados, requerimento busca investigar supostas irregularidades no Banco Master. Próxima etapa é a leitura do pedido em sessão conjunta.

Publicado em 03/02/2026 às 18:00
Antônio Cruz/Agência Brasil

Foi protocolado nesta terça-feira (3) no Congresso Nacional o requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. A iniciativa recebeu o apoio de 42 senadores e 236 deputados federais, número superior ao mínimo necessário para abertura da comissão.

O próximo passo será a leitura do requerimento em sessão conjunta do Congresso, etapa fundamental para a instalação formal da CPMI. A análise do pedido ficará a cargo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), autor do requerimento, destacou que buscará ampliar o apoio para garantir a efetiva instalação da comissão. “Existe muita gente poderosa envolvida. Vamos buscar o apoio dos nossos senadores para que haja interlocução com o presidente Davi Alcolumbre. Não temos receio de que as investigações avancem sobre quem quer que seja. Doa a quem doer, vamos fazer as apurações”, afirmou.

O senador Magno Malta (PL-ES) ressaltou a resistência em torno da criação da CPMI e elogiou a mobilização para a coleta de assinaturas. “Normalmente as assinaturas são pedidas nos nossos grupos, mas aqui foi diferente. O deputado Jordy correu um por um em busca dessas assinaturas”, observou Malta após a entrega do documento.

No plenário do Senado, outros parlamentares também manifestaram apoio à instalação da CPMI. Eduardo Girão (Novo-CE) defendeu a importância de assegurar o funcionamento independente das comissões de inquérito. Izalci Lucas (PL-DF) mencionou a negociação envolvendo a possível compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) e destacou a necessidade de investigação. Já Carlos Portinho (PL-RJ) afirmou que o caso não possui viés ideológico. “Não é da direita nem da esquerda. Não é do Lula nem do Bolsonaro. É corrupção. Não fazer nada não é uma opção”, declarou.

Após a leitura do requerimento, a comissão terá prazo de 180 dias para realizar investigações, solicitar documentos e convocar depoimentos. O objetivo é apurar indícios de fraudes, irregularidades administrativas e prejuízos bilionários associados ao Banco Master, cujo processo de liquidação extrajudicial revelou perdas relevantes para o sistema financeiro.

CAE e CPMI do INSS

Paralelamente, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), instituiu um grupo de trabalho para acompanhar os desdobramentos do caso, com início das atividades previsto para esta semana.

Já a CPMI do INSS, presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), aprovou a convocação do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para prestar depoimento ao colegiado.