Aliado de Eduardo Bolsonaro defende candidatura própria do PL contra Tarcísio em SP
Deputado Gil Diniz sugere que Partido Liberal lance nome próprio ao governo paulista, em crítica à articulação para reeleição de Tarcísio de Freitas.
O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) ironizou, nesta terça-feira (3), no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e defendeu que o PL tenha candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes nas próximas eleições.
Na semana passada, após encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio afirmou que, na avaliação do aliado, candidaturas da direita reforçariam a disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Essa mesma lógica vale para o governo de São Paulo? Porque, se vale para o governo de São Paulo, vale a pena o Partido Liberal ter um candidato também, porque ajuda a chapa de deputado estadual, ajuda a chapa de deputado federal. O Partido Liberal é o maior partido do Estado de São Paulo e o maior partido do Brasil", declarou Gil Diniz no plenário. Tarcísio é apontado como provável candidato à reeleição.
Gil Diniz, cotado para disputar uma vaga no Senado, é aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e adotou o sobrenome Bolsonaro como nome parlamentar, conforme consta no site da Alesp.
A manifestação ocorre no momento em que Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, defende o nome do presidente da Alesp, deputado André do Prado, como vice na chapa de Tarcísio na disputa pelo governo paulista.
Já como Gil Diniz Bolsonaro, o parlamentar negou que a inclusão do sobrenome tenha motivação eleitoral. "Não tenho problema nenhum em colocar no meu nome parlamentar o nome do presidente Bolsonaro. Não é uma maneira politiqueira de fazer uso indevido do nome do presidente, mas de marcar posição: aqui, sim, nós defendemos o presidente Bolsonaro e sua família. Com o nome ou sem o nome, isso não define se somos bolsonaristas", afirmou.
O embate entre Gil Diniz e Tarcísio não é recente. Como já mostrou o Estadão, o governador tem sido criticado por atuar contra a indicação do deputado à liderança do PL na Alesp.
Conhecido como "Carteiro Reaça", Diniz é um dos principais nomes da bancada bolsonarista na Assembleia e foi apontado por Eduardo Bolsonaro como possível substituto na disputa pelo Senado em São Paulo. A movimentação de Tarcísio contra um aliado da família Bolsonaro incomodou Eduardo, segundo pessoas próximas ao ex-presidente.
A troca no comando da bancada do PL na Alesp ocorreu após o então líder, Carlos Cezar, ser indicado para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP). Segundo deputados do PL ouvidos reservadamente pelo Estadão, Tarcísio manifestou de forma explícita sua preferência por Alex Madureira (PL) a alguns parlamentares e, em outros casos, recorreu a auxiliares para deixar claro à bancada que Madureira era o seu escolhido. O movimento garantiu apoio suficiente para que o deputado assumisse a liderança no fim do ano passado.
O principal argumento de Tarcísio, segundo esses deputados, foi político: o governador avalia que precisa de um aliado próximo e moderado à frente da maior bancada da Alesp, temendo que a escolha de um nome independente e bolsonarista possa dificultar a articulação do governo no Legislativo paulista em pleno ano eleitoral.