Condenado por antissemitismo, vereador Adilson Amadeu retorna à Câmara de São Paulo
Vereador suplente, condenado em duas instâncias por injúria racial, reassume vaga temporária durante licença do presidente da Casa.
O vereador Adilson Amadeu (União Brasil-SP), condenado em duas instâncias por antissemitismo, voltou a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo nesta terça-feira, 3.
Suplente, Amadeu assumiu temporariamente o lugar de Ricardo Teixeira (União Brasil-SP), presidente da Casa, que se licenciou por 38 dias para tratar um caso de herpes zoster. Durante o período, a presidência será exercida interinamente pelo vice-presidente, João Jorge (MDB-SP).
Com cinco mandatos já cumpridos, Amadeu não se reelegeu nas últimas eleições, mas obteve votos suficientes para permanecer como suplente. Ele já havia assumido a vaga em outubro do ano passado, durante a licença da vereadora Sandra Alves (União Brasil-SP).
Nas redes sociais, Amadeu comemorou o início do ano legislativo e declarou que "o trabalho vai continuar em 2026". Em seu discurso de retorno, abordou temas relacionados à categoria dos taxistas.
O vereador foi condenado por injúria racial após, em dezembro de 2019, durante debate no Legislativo, referir-se ao colega Daniel Annenberg (PSDB-SP) com insultos antissemitas. Na ocasião, Amadeu pediu desculpas à comunidade judaica, alegando ter se excedido "no calor da discussão". Três anos depois, foi sentenciado a um ano e quatro meses de prisão, pena posteriormente convertida em trabalhos comunitários. Após recorrer, foi novamente condenado em segunda instância em 2023.
Em 2020, Amadeu foi acusado de divulgar um áudio com declarações preconceituosas contra judeus em grupos de WhatsApp. No áudio, afirmou: "É uma sem-vergonhice que eles querem que quebra todo mundo, pra todo mundo ficar na mão, do grupo de quem? Infelizmente também os judeus, quando eu tô até respondendo um processo, porque quando entra Albert Einstein, grupo Lide é que tem sem-vergonhice grande, grande, sem-vergonhice de grandeza, de grandeza que eu nunca vi na minha vida".
No processo, Amadeu alegou que a mensagem foi compartilhada apenas "com amigos de infância" e que o alvo seriam críticas à administração pública municipal e estadual durante a pandemia, não à comunidade judaica. Ainda assim, em 2023, foi condenado a dois anos e meio de prisão e à perda do mandato por antissemitismo. Ele recorreu, mas foi novamente condenado em segunda instância no ano seguinte.