SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

'Magistrados, inclusive desta Suprema Corte, nunca julgam caso em que têm ligação', diz Moraes

Ministro do STF rebate acusações sobre suposta permissão para juízes julgarem causas de parentes e critica desinformação.

Publicado em 04/02/2026 às 15:51
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) Reprodução / Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou nesta quarta-feira (4) que nenhum juiz, inclusive os integrantes da Suprema Corte, julga processos nos quais tenha qualquer tipo de ligação. "Magistrado não pode ter ligação com o processo que julga. E todos os magistrados, inclusive desta Suprema Corte, não julgam nunca nenhum caso em que têm ligação", declarou durante sessão plenária que discute regras para o uso de redes sociais por juízes.

Moraes classificou como uma "mentira absurda" a alegação de que o STF teria autorizado magistrados a julgar causas de seus parentes. Ele lembrou que, em 2023, o Tribunal declarou inconstitucional uma norma que proibia juízes de atuarem em processos envolvendo clientes de escritórios de advocacia de parentes e cônjuges. No entanto, permanece vedado aos juízes julgar casos em que parentes ou cônjuges sejam parte ou atuem como advogados.

"O magistrado, desde a 1ª instância até o STF, está impedido de julgar qualquer caso em que tenha, em qualquer das partes ou advogados, seus parentes. Mas, de forma absolutamente indigna, parte dos agressores a este STF, e com apoio lamentável de parte da mídia, vem repetindo esta mentira", criticou. "Vários de nós acionamos nossa assessoria de imprensa para esclarecer isso, e a imprensa continua".

Moraes também destacou as restrições impostas à carreira da magistratura. "Não há nenhuma carreira pública com tantas vedações como a magistratura. O magistrado não pode fazer mais nada na vida, só o magistério. E como só pode dar aulas e palestras, passaram a demonizar palestras dadas por magistrados", afirmou.

Ele concluiu: "Por falta do que criticar, daqui a pouco a má-fé vai também para quem dá aula nas universidades".