CENÁRIO POLÍTICO

'Precisamos achar as pessoas que ainda têm flexibilidade ideológica', diz Lula

Em entrevista, presidente destaca busca por eleitores moderados e comenta polarização no Brasil e no mundo

Publicado em 05/02/2026 às 14:54
'Precisamos achar as pessoas que ainda têm flexibilidade ideológica', diz Lula Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (5), que sua principal estratégia de campanha será atrair "as pessoas que ainda têm flexibilidade ideológica".

Lula reconheceu o atual ambiente de forte polarização na sociedade brasileira. Segundo ele, "quem não gosta de mim não gosta de mim, e quem não gosta deles não gosta deles".

"O que nós precisamos é achar, nesses 215 milhões de habitantes, as pessoas que ainda têm flexibilidade ideológica, que não acreditam em mentiras e que resolvam votar do lado certo", declarou o presidente.

As afirmações foram feitas em entrevista ao UOL News. Ao ser questionado novamente sobre a polarização, Lula ponderou que o fenômeno não é exclusivo do Brasil. "Sempre foi dividido. Você (a jornalista Daniela Lima, a entrevistadora) era jovem quando o Brasil foi dividido entre Arena e MDB. A Alemanha é dividida entre CDU e SPD. A Espanha é dividida entre dois partidos. Os EUA são divididos entre Republicanos e Democratas. Todo país é assim", disse.

Apesar do cenário, Lula avaliou que "o Brasil está pacificado". Ele citou indicadores econômicos e sociais: "Um país que tem o maior aumento do salário mínimo, o maior aumento da massa salarial, a menor inflação contida em quatro anos, a bolsa crescendo continuamente, um país com a maior concentração de população economicamente ativa".

Lula comentou ainda que seus adversários "já estão todos em campanha", mas que só pretende entrar de vez na disputa no segundo semestre. Até junho, o presidente afirmou que seguirá focado em entregar obras e programas prometidos em sua gestão. "Até junho sou presidente da República e tenho de entregar tudo que prometi a esse povo. Quando passar o mês de junho, vou entrar na campanha. Por enquanto, estou presidente da República. Jamais farei o jogo rasteiro dos meus adversários", afirmou.

O presidente também ironizou a quantidade de pesquisas eleitorais divulgadas atualmente e relativizou seus resultados. "Agora, temos uma guerra de pesquisa no Brasil. Todo mundo faz pesquisa. Você não sabe a pergunta que foi feita. No momento certo, vamos ter pesquisa, vamos contratar, fazer as perguntas adequadas e começar a trabalhar", concluiu Lula. Ele reconheceu, porém, a importância dos levantamentos para medir a opinião pública e disse que sua equipe fará uso desse recurso durante a campanha.