CPMI aprova prisões e quebras de sigilo em apuração de fraudes no INSS
Comissão intensifica investigação sobre descontos indevidos e mira servidores, empresas e dirigentes de associações.
A CPMI do INSS aprovou, nesta quinta-feira (5), a quebra de sigilo fiscal de servidores do INSS, filhos de investigados e 36 empresas. Dos 57 requerimentos aprovados, 51 tratam especificamente de quebras de sigilo.
Os parlamentares também aprovaram pedidos de prisão preventiva e retenção de passaporte para suspeitos de envolvimento nas fraudes, entre eles:
- Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Brasil Clube de Benefícios;
- Igor Dias Delecrode, ex-presidente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista;
- Américo Monte Júnior, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios;
- Anderson Cordeiro de Vasconcelos, dirigente da Associação Master Prev;
- Marco Aurélio Gomes Júnior, apontado como dirigente de diversas associações e clubes de benefícios;
- Mauro Palombo Concilio, contador de empresas envolvidas em descontos indevidos.
Segundo as investigações, as fraudes consistiam na falsificação de autorizações de idosos para torná-los mensalistas de associações e sindicatos. Essas entidades utilizavam acordos irregulares com o INSS para descontar automaticamente mensalidades de aposentadorias e pensões.
Veja aqui todos os requerimentos aprovados.
Banco Master
Outro tema debatido foi a retirada de documentos relativos ao Banco Master, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. O presidente da CPMI, Carlos Viana, relatou que Toffoli justificou a medida devido à necessidade de análise prévia da Polícia Federal, para evitar prejuízo às investigações e eventual invalidação de provas.
Durante a reunião, parlamentares discutiram os limites da investigação sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários e cobraram esclarecimentos sobre o acesso e uso de informações sigilosas referentes ao Banco Master.
Viana destacou que a comissão deve focar nos descontos irregulares que prejudicaram aposentados e pensionistas, para evitar questionamentos judiciais quanto ao alcance das investigações. O Banco Master é alvo de denúncias de descontos irregulares em contratos consignados.
Proteção aos aposentados
Carlos Viana anunciou que, em 2026, a CPMI do INSS priorizará a criação de regras claras para proteger aposentados e pensionistas. Na abertura dos trabalhos do ano, o parlamentar afirmou que as próximas etapas serão voltadas à responsabilização dos envolvidos nas fraudes.
Segundo relatórios recentes acessados por Viana, dos R$ 210 bilhões movimentados por bancos e financeiras, boa parte sem o conhecimento dos beneficiários, os descontos irregulares nas folhas de pagamento somaram cerca de R$ 6,8 bilhões nos últimos cinco anos.
Inicialmente, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União haviam identificado R$ 6,3 bilhões em fraudes.