ECONOMIA E LEGISLAÇÃO

Projeto propõe corte de gastos públicos para compensar isenções fiscais

Proposta em análise na Câmara permite que governo utilize redução de despesas para equilibrar contas ao conceder benefícios tributários.

Publicado em 09/02/2026 às 18:22
Projeto de lei sugere corte de gastos públicos para compensar isenções fiscais concedidas pelo governo. Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Alteração na Lei de Responsabilidade Fiscal

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 91/25 sugere mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), possibilitando que o governo compense a concessão de benefícios tributários não apenas com aumento de arrecadação, mas também por meio do corte de despesas públicas. O texto está atualmente em análise na Câmara dos Deputados.

De autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), a proposta modifica o trecho da LRF que estabelece as regras para renúncias fiscais, como isenções, anistias ou subsídios.

Segundo Jordy, a legislação vigente restringe as opções de gestão fiscal. Para ele, o equilíbrio das contas públicas pode ser obtido tanto pelo aumento da receita quanto pela redução das despesas.

"Permitir que o corte de gastos seja utilizado como medida compensatória incentiva a busca por eficiência na gestão", defende o parlamentar. Jordy ressalta ainda que, em períodos de crise, aumentar impostos para compensar benefícios pode impactar negativamente a economia e o emprego, tornando o corte de gastos uma alternativa viável.

Mudança na prática

Atualmente, a legislação exige que, ao conceder incentivos fiscais, o governo compense a perda de receita apenas aumentando a arrecadação, seja por meio da criação de novos tributos, elevação de alíquotas ou ampliação da base de cálculo.

Com a proposta, passa a ser possível utilizar a "redução de despesa primária corrente" como alternativa. Dessa forma, o gestor poderá conceder isenções fiscais e, para manter o equilíbrio das contas, optar por cortar gastos públicos em vez de elevar a carga tributária de outros setores.

Próximos passos

A proposta será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de seguir para apreciação no Plenário da Câmara.

Conheça a tramitação dos projetos de lei complementar