Cenário com Tarcísio candidato a presidente se afasta, avalia Hugo Motta
Presidente da Câmara aponta indefinição sobre apoio do Republicanos e vê Tarcísio focado na reeleição em São Paulo
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (10) que a possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disputar a Presidência da República está se tornando cada vez mais remota. Segundo Motta, o partido ainda não definiu qual candidatura apoiará no pleito nacional.
"Vejo que esse cenário está cada vez mais distante. Penso que Tarcísio já sinaliza e anuncia que o seu projeto deve ser de reeleição em São Paulo, enquanto o senador Flávio (Bolsonaro) se consolida como candidato do PL", declarou o deputado durante participação virtual na conferência do banco BTG Pactual, realizada em São Paulo.
Motta destacou que ainda há incertezas quanto ao nome do PSD na disputa presidencial e que os partidos de centro acompanham atentamente as movimentações políticas. "Está tudo indefinido. As sinalizações do presidente Lula de buscar diálogo com os partidos de centro também tornam o cenário mais complexo. Os presidentes de partido devem aguardar as definições desses grupos para tomar decisões", afirmou.
O presidente da Câmara ressaltou que pretende aguardar uma definição mais clara do quadro eleitoral antes de se posicionar sobre a eleição presidencial, com o objetivo de preservar o andamento dos trabalhos na Casa. "Não é o momento de eu tomar essa decisão, até para que eu possa, com equilíbrio e responsabilidade, conduzir a presidência da Câmara dos Deputados no ano eleitoral", explicou.
Em relação às eleições para o Congresso, Motta acredita que a taxa de reeleição deve se manter em torno de 40%, com fortalecimento tanto da direita quanto da esquerda, refletindo o ambiente polarizado. "Devemos manter esse número de 40% na previsão de renovação de cadeiras, com tendência de fortalecimento dos polos da esquerda e da direita", avaliou.
Segundo ele, a tendência é de redução dos chamados "partidos nanicos", devido ao endurecimento da cláusula de desempenho. "Cada vez mais, os partidos menores terão dificuldade para cumprir essa cláusula. Isso deve gerar uma migração de parlamentares para legendas que conseguirão sobreviver, e o Brasil caminha, no meu ponto de vista, para uma redução do número de partidos representados no Congresso", concluiu.