Projeto prevê áreas para pets em cemitérios e autoriza enterro de animais em jazigos familiares
Proposta em análise na Câmara dos Deputados obriga cemitérios a reservar alas para animais de estimação e reconhece o direito das famílias ao luto.
O Projeto de Lei 4907/25, em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe a obrigatoriedade de criação de alas específicas para sepultamento de animais de estimação em cemitérios públicos e privados, além de permitir o enterro conjunto de pets em jazigos familiares tradicionais.
De autoria do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), a iniciativa tem como princípio central a preservação da dignidade, da memória e do respeito aos vínculos afetivos entre humanos e seus animais de companhia.
Segundo Tavares, a legislação precisa se adaptar à nova realidade dos lares brasileiros, onde os animais são considerados membros das chamadas famílias multiespécie. "A possibilidade de sepultamento em jazigos familiares responde a uma demanda crescente das famílias, que desejam manter a memória de seus animais junto a seus entes queridos", afirmou o deputado.
Sepultamento no mesmo túmulo
A proposta autoriza cemitérios tradicionais a permitirem o enterro de "animais não humanos" (como cães e gatos) no mesmo jazigo onde estão sepultados membros da família. Para isso, é necessário o consentimento formal dos demais co-titulares do jazigo e o atendimento a requisitos legais.
O texto exige a apresentação de declaração de óbito emitida por médico veterinário e o acondicionamento do corpo conforme normas que deverão ser regulamentadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e órgãos ambientais, com o objetivo de evitar contaminações e garantir o rigor técnico.
Direito à memória e saúde pública
Um dos destaques do projeto é o reconhecimento do luto das famílias. O texto assegura o direito de preservar a memória dos animais de estimação sepultados, estimulando a criação de memoriais físicos e digitais.
Além do aspecto emocional, o deputado Marcos Tavares destaca a urgência sanitária do tema. Segundo ele, a falta de locais adequados para o sepultamento de animais leva ao descarte irregular de corpos em terrenos baldios ou no lixo comum, o que representa riscos ambientais.
"A ausência de regulamentação sobre a destinação de corpos de animais leva frequentemente ao descarte irregular, o que gera sérios riscos ambientais", justificou Tavares.
Obrigatoriedade e prazo
O projeto estabelece que todos os cemitérios do país deverão reservar áreas específicas para o sepultamento de animais no prazo de 24 meses. A proposta define "cemitério-pet" como uma área exclusiva dentro de cemitérios públicos ou privados destinada ao sepultamento de animais de estimação.
Próximos passos
A proposta será analisada de forma conclusiva pelas comissões de Saúde; de Desenvolvimento Urbano; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.