POLÊMICA NAS REDES

Jessé Souza é acusado de antissemitismo após vídeo sobre Epstein e 'lobby judaico'

Sociólogo associa bilionário condenado a 'supremacismo judaico' e recebe críticas da Conib; após repercussão, ele pede desculpas, mas mantém críticas ao sionismo.

Publicado em 10/02/2026 às 20:54
Jessé Souza Reprodução / Instagram

O sociólogo Jessé Souza foi alvo de críticas e acusações de antissemitismo após publicar um vídeo nas redes sociais em que afirma que o bilionário Jeffrey Epstein teria sido financiado pelo "lobby judaico". As declarações foram repudiadas pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), que lamentou o uso da projeção acadêmica de Souza para disseminar "conceitos carregados de ódio contra judeus".

No vídeo, Jessé Souza afirmou que Epstein — condenado por pedofilia e acusado de liderar uma rede internacional de exploração sexual de menores — seria "o produto mais perfeito do sionismo judaico" e o "melhor reflexo do supremacismo racial judaico e sionista".

Em outro trecho, o sociólogo compara Epstein ao Estado de Israel, dizendo que "assim como Israel, Epstein matava e violava meninos e meninas, americanos e de outros lugares, por uma autorização tácita e às vezes explícita do poder do lobby judaico no mundo", sem apresentar qualquer prova para as afirmações.

Após a repercussão negativa, Jessé Souza apagou o vídeo original e publicou um novo, no qual pede desculpas por não ter feito a devida distinção entre "lobbies sionista e judaico". "Mas mantenho todo o resto. Epstein não é um caso isolado, mas sim um filho dileto do sionismo como ideologia racista e assassina", declarou.

Em nota divulgada na tarde desta terça-feira (10), Souza afirmou repudiar todas as formas de discriminação e negou ter acusado indivíduos ou coletividades, mas sim uma "estrutura de poder". Ele reconheceu o erro de não diferenciar os lobbies, disse lamentar o episódio e voltou a criticar o silêncio diante do que chamou de "genocídio palestino". Segundo ele, tal silêncio só pode ser compreendido "se temos uma estrutura de chantagens que dura décadas com o fito de silenciar todo mundo".

Para a Conib, Souza atribuiu responsabilidade coletiva aos judeus pelas ações de Epstein, o que configura antissemitismo. "Flagrado, retirou o conteúdo do ar e o substituiu por um novo ataque aos judeus, agora demonizando 'apenas' os sionistas (termo que se refere à defesa da autodeterminação do povo judaico e o direito a um Estado)", afirmou a entidade.

"A série de vídeos de Jessé de Souza é mais uma evidência de como o antissemitismo, sempre mutante ao longo de séculos, encontrou no antissionismo sua melhor versão contemporânea", concluiu a Conib.

Jessé Souza foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) durante o segundo mandato de Dilma Rousseff e é autor de livros como "A Classe Média no Espelho" e "A Elite do Atraso: da Escravidão à Lava Jato".