Heloísa Helena chama água de “sagrada”, ataca privatizações e diz que bancada da Federação PSOL-Rede vai lutar para anular decreto
A deputada federal Heloísa Helena fez um pronunciamento incisivo durante sessão de comissão na Câmara dos Deputados ao se posicionar, em nome da Federação PSOL-Rede, em defesa de comunidades mobilizadas em torno de uma pauta ambiental ligada à proteção das águas, denúncia de crime ambiental e crítica à lógica de privatização de recursos hídricos no país.
Na fala, a parlamentar destacou o caráter simbólico e humano da água, associando-a à vida e à maternidade, e declarou apoio à mobilização dos presentes. “A água é sagrada”, disse, ao elogiar a resistência das comunidades e afirmar que compreende a indignação e a ocupação como resposta a um histórico de conflitos.
“Desestatização é o nome charmoso para privatização”
Em um dos trechos mais duros do discurso, Heloísa Helena criticou governos anteriores e o atual por manterem, segundo ela, uma política que abre caminho para privatizações e pressões sobre recursos hídricos. Ela citou a privatização da água e vinculou a discussão ao papel de empresas e ao controle de decisões que envolvem água para energia e abastecimento.
A deputada afirmou que ela e o deputado Túlio apresentaram proposta para retirar definitivamente “água” do Programa Nacional de Desestatização (PND), ampliando o escopo para incluir também territórios indígenas e ativos com potencial de geração hidrelétrica. Na visão dela, deixar o tema no PND mantém uma ameaça recorrente: “entra governo e sai governo” e o assunto volta à mesa, com nova tentativa de “desestatização”.
Alvo: expansão agrícola e “veneno” no rio
A parlamentar também enquadrou o conflito ambiental como parte de um modelo econômico que, segundo ela, privilegia grandes interesses e amplia desigualdades. Heloísa Helena mencionou o cultivo de soja como exemplo, acusando a atividade de gerar “miséria e veneno” e associando a dinâmica à contaminação de água e solo, além de impactos na fauna e na saúde.
“Anular o decreto” e mudar a lei da “consulta”
Ao final, Heloísa Helena prometeu apoio político e mobilização institucional para tentar anular um decreto ligado ao caso e defendeu que, além da disputa pontual, é preciso mudar a legislação que permite processos “consultivos” sem poder real de veto por parte das comunidades atingidas.
Para a deputada, consultas públicas, do jeito como são conduzidas, podem virar formalidade para “ouvir e depois fazer o que quer”, servindo mais à fotografia e à narrativa institucional do que a uma participação efetiva. A deputada encerrou reforçando a solidariedade e o compromisso da bancada em “convencimento, ocupação, diálogo” e, quando necessário, “ferocidade da luta”.