Morre Célio Azevedo, primeiro fotógrafo da Agência Senado
Profissional registrou mais de três décadas da história do Congresso Nacional e era referência na cobertura legislativa
Morreu nesta quarta-feira (11), em Brasília, em decorrência de complicações de pneumonia, Célio Azevedo, aos 88 anos, reconhecido como o primeiro fotógrafo da Agência Senado.
Célio iniciou sua trajetória fotográfica no Senado em 1974, onde permaneceu até a aposentadoria, em 2008. Em 2007, foi homenageado pelo então senador Arthur Virgílio (AM), que solicitou voto de aplauso pela exposição de fotografias das atividades legislativas do Senado Federal, resultado de mais de 30 anos de dedicação como servidor.
“Célio Azevedo é uma das figuras mais presentes na Casa. Sempre com sua máquina, lentes e bolsa em punho, acompanhou, como servidor lotado na Secretaria Especial de Comunicação Social, praticamente todas as atividades legislativas do Senado Federal. Ora nas comissões, nas CPIs ou em Plenário, lá vem o Célio, com seu cativante otimismo e um sorriso afável com que cumprimenta senadores e colegas servidores”, destacou Arthur Virgílio.
Nascido em Niterói (RJ), Célio acompanhou, ao longo de mais de três décadas, momentos marcantes da história nacional e do Congresso, como a redemocratização, a Assembleia Nacional Constituinte e as CPIs do Banestado e dos Correios.
Elina Rodrigues, chefe de serviço adjunta da Fotografia da Agência Senado, que também trabalhou com Célio enquanto repórter, recorda que ele se referia à aposentadoria como "a expulsadeira".
— Seu Célio era muito ativo, gostava de trabalhar, de fotografar, de atuar no Senado. Ele se aposentou indignado aos 70 anos, pela compulsória — relembra Elina.
A fotógrafa Márcia Kalume, também pioneira, compartilhou diversas pautas com o colega e ressalta que Célio “se dava bem com todos, independentemente da política”.
— O que lembro dele é que era uma pessoa pacificadora e nunca levantava a voz para ninguém. Era calmo e transmitia tranquilidade nos momentos mais difíceis — relata Márcia.
O fotógrafo da Agência Senado, Geraldo Magela, que conviveu 25 anos com Célio, destaca sua gentileza, bom humor e serenidade:
— Um ótimo fotógrafo, tinha carinho pelo que fazia. Possuía um olhar sensível e interessado. Era atencioso, educado, carismático, amoroso com todos. Uma gentileza, uma educação, um humor maravilhoso — descreve Magela.
Raquel Azevedo, filha de Célio, lembra do pai presente, amigo e companheiro:
— Um incentivador de todos, sempre tão carinhoso e cuidadoso. Dedicou-se e sempre fez o melhor profissionalmente, porque nunca foi de fazer qualquer coisa. Amava o que fazia, amava tirar fotos, amava trabalhar e fazer parte do Senado. Fez muitos amigos — conta Raquel.