FISCALIZAÇÃO DE GASTOS PÚBLICOS

Deputado solicita ao TCU auditoria de US$ 2,5 milhões em auxílio-moradia do Itamaraty

Kim Kataguiri questiona transparência e pede investigação sobre despesas de diplomatas em Nova York

Publicado em 12/02/2026 às 12:05
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) protocolou nesta quarta-feira, 11, um pedido ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que seja realizada uma auditoria nos gastos de US$ 2,5 milhões referentes ao auxílio-moradia de 30 servidores do Itamaraty lotados na Missão do Brasil junto às Nações Unidas, em Nova York, no ano de 2024. A informação foi inicialmente divulgada pelo portal Fiquem Sabendo.

Segundo Kataguiri, há indícios de "ineficiência operacional", falta de critérios de mercado, concentração de recursos sem supervisão efetiva e inércia administrativa. O parlamentar também solicitou que o Ministério Público junto ao TCU acompanhe o caso.

Procurado, o Itamaraty afirmou que não foi oficialmente notificado sobre o ofício mencionado e, por isso, não poderia comentar o assunto. "O Itamaraty não foi notificado do ofício mencionado e, portanto, não possui a informação mínima que permitiria tecer comentários sobre o assunto mencionado", informou o órgão.

Para embasar seu pedido, Kataguiri requisitou ao Ministério das Relações Exteriores dados detalhados sobre os gastos com auxílio-moradia dos servidores em 2024. As informações foram respondidas pelo ministro Mauro Vieira.

Sobre o auxílio concedido aos 30 diplomatas, o ministério alegou que o fator de conversão utilizado é considerado adequado. "Além de ser Nova York uma das cidades com valores de aluguel mais caros do mundo", afirmou o ministro, "o fator de conversão adotado para Nova York segue adequado".

Mauro Vieira acrescentou ainda que "o Itamaraty não tem notícias de suspeitas sobre a correção do pagamento dos reembolsos indenizatórios".

Kataguiri, no entanto, argumenta que a ausência de um cronograma regular de fiscalização "impede a detecção tempestiva de eventuais distorções ou pagamentos indevidos".

"A postura de aguardar 'notícias de suspeitas' para só então auditar caracteriza uma gestão de riscos passiva. Em uma unidade que movimenta recursos milionários com contratos descentralizados (30 servidores), a auditoria deve ser rotina preventiva", concluiu o deputado.