ELEIÇÕES 2026

Flávio Bolsonaro defende reformas e privatizações, mas evita compromisso com teto de gastos

Pré-candidato à Presidência, senador diz que irá priorizar Estado enxuto e manutenção do Bolsa Família, mas não detalha propostas fiscais

Publicado em 12/02/2026 às 15:41
Flávio Bolsonaro defende reformas e privatizações, mas evita compromisso com teto de gastos Reprodução / Instagram

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, defendeu nesta quinta-feira (12) a realização de reformas estruturais, como a administrativa e a eleitoral, mas evitou se comprometer com a volta do teto de gastos caso seja eleito.

“Tem que fazer muitas reformas. Tem a reforma administrativa, tem a reforma eleitoral. A gente tem que revisitar a reforma tributária que foi feita”, afirmou em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan.

Flávio destacou que pretende trabalhar por um Estado mais enxuto, com menos burocracia e mais apoio ao empreendedorismo. “O governo tem que ajudar quem quer trabalhar, dando às pessoas uma mentalidade de poder empreender”, reforçou, sem detalhar as propostas.

Teto de gastos

Questionado sobre o compromisso com o teto de gastos, Flávio preferiu não se posicionar. “Não quero entrar em detalhes do que vou propor. Tem tanta gente estudando comigo e que vamos começar a tomar decisões juntos. Mas queremos trazer previsibilidade, trazer despesas para dentro do Orçamento”, declarou.

Privatizações

O senador manifestou apoio às privatizações, mas ponderou que é preciso analisar caso a caso. “Sou muito favorável a privatizações. Uma gestão privada sempre tende a ser focada no resultado, na qualidade do serviço prestado, mas também não podemos falar: vamos privatizar tudo. Tem que ver caso a caso”, explicou.

Flávio criticou a gestão petista das estatais e citou os Correios como exemplo, sem confirmar se a empresa será privatizada: “Os caras conseguiram quebrar uma empresa que tem monopólio, que não tem concorrente”.

Ele ainda elogiou os marcos legais do saneamento básico e das startups, e lembrou que, quando Jair Bolsonaro assumiu a Presidência, houve um “revogaço” de medidas burocráticas e cortes de cargos comissionados, o que teria estimulado o ambiente de negócios no país.

“A mentalidade tem que ser o contrário, você tem que garantir o princípio da presunção para as empresas. A gente quer uma pessoa que faz a coisa certa, quer andar legal, pagar seus impostos sem burocracia”, afirmou.

Cortes

Flávio reafirmou a intenção de realizar cortes de gastos e de impostos, mas não especificou quais áreas seriam atingidas. “Não dá para falar isso aqui agora, porque é um emaranhado de impostos, é um castelo de cartas. Se você quiser tirar um imposto, tira uma carta, vai desabar do outro lado”, disse.

O senador também criticou o número de ministérios do governo Lula. “São 38 ministérios. Fico imaginando uma reunião do presidente da República com todos os seus ministros. Você não consegue cobrar resultado, não consegue cobrar meta, não consegue discutir projetos bons para a população”, avaliou.

Bolsa Família

Flávio assegurou que manterá programas assistenciais como o Bolsa Família. “A gente vai manter. Vamos abraçar as pessoas que precisam, porque tem muita gente que precisa dessa ajuda do governo para ter o que comer”, garantiu.

Ele defendeu, contudo, a criação de uma “porta de saída” para os beneficiários de programas sociais, sugerindo que o benefício seja mantido por um ou dois anos após a conquista de emprego.

“O Brasil tem mais de 800 mil vagas ociosas para quem quer trabalhar, por exemplo, com inteligência artificial, tecnologia da informação. Por quê? Porque não têm qualificação. As pessoas não sabem trabalhar com isso. Por que, em vez de se aproveitar da miséria das pessoas, não se usa para qualificar essas pessoas?”, questionou.