POLÍTICA

Ex-ministro sanfoneiro de Bolsonaro filia-se ao Podemos e critica o PL

Publicado em 13/02/2026 às 17:12
Ex-ministro sanfoneiro de Bolsonaro filia-se ao Podemos e critica o PL Reprodução

Ex-ministro do Turismo do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Gilson Machado Neto oficializou nesta sexta-feira, 13, sua filiação ao Podemos e fez críticas à antiga sigla, o Partido Liberal (PL). Durante discurso no evento de filiação, afirmou que "a direita não tem dono", em referência ao PL.

"O eleitor de direita é diferente do eleitor de esquerda. Ele é dono da própria consciência. A direita não tem dono. Cada eleitor de direita tem sua rede social e tira suas próprias definições de quem merece o seu voto ou não", declarou.

O ex-ministro afirmou que não havia mais clima para sua permanência no partido de Bolsonaro. "Infelizmente, quando eu vejo que não me cabe mais em um local, eu prefiro sair para não arrumar confusão. Então, saí tranquilo e pela porta da frente", disse.

Gilson também criticou a falta de engajamento na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto. "Nas redes sociais, não tem uma menção a Flávio Bolsonaro em três meses de pré-campanha. Por curiosidade, abram o PL Mulher e o PL Pernambuco. Não tem uma menção. Eu fui voto vencido, não fui nem ouvido, por isso decidi sair e procurar quem me deu ambiente bom, o que eu estou sentindo no Podemos", afirmou.

Fiel a Bolsonaro, Machado anunciou que será candidato à Câmara dos Deputados por Pernambuco para fortalecer o grupo político do ex-presidente. "Eu não vou mais para uma campanha em que eu não possa ajudar Bolsonaro e Flávio lá em Brasília. O que adianta eu me candidatar a senador, quase ser eleito, mas não chegar lá, como em 2022? Então, eu sou muito mais útil à causa tendo mandato de deputado federal", declarou.

Segundo ele, recebeu "carta branca" do Podemos para atuar como quiser na campanha de Flávio Bolsonaro. O ex-ministro também criticou o diretório estadual do PL, que teria se posicionado contra uma eventual candidatura dele ao Senado, mesmo com apoio de Bolsonaro. Machado ainda apontou a falta de capilaridade da legenda em Pernambuco. "Mesmo sendo o partido de Bolsonaro, não tem uma prefeitura em Pernambuco, infelizmente", disse.

Disputa interna no PL

Quando anunciou sua desfiliação do PL, em janeiro, Machado havia afirmado que seguiria na disputa por uma vaga no Senado por Pernambuco. Como mostrou o Estadão, o PL vivia uma disputa interna entre o presidente estadual da legenda, Anderson Ferreira, e Gilson Machado para definir quem seria o candidato ao Senado. Com a saída de Machado, o dirigente partidário deve ser o escolhido.

Machado afirmou na ocasião que não conseguiu comunicar pessoalmente sua decisão a Bolsonaro por estar com restrições de deslocamento e impedido de deixar Recife (PE). Segundo ele, no entanto, o movimento foi compartilhado com Flávio Bolsonaro e Renato Bolsonaro, filho e irmão do ex-presidente.

Gilson tentou obter passaporte português para Mauro Cid

A Polícia Federal (PF) prendeu Gilson Machado em junho do ano passado, no Recife. De acordo com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele teria tentado obter um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, deixar o Brasil. Na ocasião, Gilson negou as acusações.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do ex-ministro no mesmo dia. Para Moraes, "com as diligências realizadas pela PF, a prisão preventiva não se faz mais necessária, podendo ser substituída por medidas cautelares alternativas", como o cancelamento do passaporte, a proibição de deixar o País e de se comunicar com outros investigados "por qualquer meio".

Aliado de Bolsonaro

Gilson Machado é um aliado próximo de Bolsonaro, tendo se aproximado do ex-presidente ainda em 2018. Foi secretário do Ministério do Meio Ambiente durante a gestão do ex-presidente e, em maio de 2019, foi indicado para a presidência da Embratur, estando à frente da estatal por mais de um ano.

Machado ganhou destaque por aparecer tocando sanfona em lives de Bolsonaro durante a pandemia de covid-19. O ex-ministro é sanfoneiro, já gravou com nomes como Zé Ramalho e atua na banda Brucelose até hoje. Ele já deu aulas do instrumento para Bolsonaro. Em dezembro de 2020, foi remanejado para o Ministério do Turismo.