POLÍTICA

Levantamento aponta que 70% dos prefeitos de capitais que tentaram disputar o governo fracassaram nas urnas

Possíveis candidaturas de Eduardo Paes no Rio de Janeiro, João Henrique Campos em Pernambuco e João Henrique Caldas em Alagoas enfrentarão desafio histórico de derrotas na corrida governamental

Por Redação com O Globo Publicado em 15/02/2026 às 12:53
Eduardo Paes, João Campos e João Henrique Caldas Reprodução

A decisão de abandonar o mandato de prefeito para disputar o governo do Estado carrega um risco político mensurável. Levantamento nacional mostra que, neste século, 19 prefeitos de capitais optaram por deixar o cargo antes do fim do mandato para concorrer ao Executivo estadual. Apenas seis venceram. Sete em cada dez foram derrotados.

O dado não é apenas estatístico. Ele traduz um fenômeno político recorrente: a dificuldade de transformar popularidade na capital em força eleitoral em todo o Estado.

Rio de Janeiro e Pernambuco no radar


No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes aparece como um dos nomes que podem seguir esse caminho. Gestor experiente e figura conhecida nacionalmente, Paes carrega capital político consolidado na capital fluminense.

Ainda assim, a história mostra que governar uma metrópole não significa, automaticamente, conquistar o eleitorado do interior.

Situação semelhante vive Pernambuco, onde o prefeito do Recife, João Henrique Campos, também é apontado como potencial candidato ao governo estadual.

Jovem liderança e herdeiro de tradição política, Campos teria de ampliar sua influência além da Região Metropolitana para romper a barreira estatística que historicamente desafia prefeitos de capitais.

Em ambos os casos, o dilema é o mesmo: deixar o cargo até abril, cumprir o prazo de desincompatibilização e apostar na construção de uma maioria estadual.

O cenário em Alagoas


Em Alagoas, a discussão ganha contornos ainda mais sensíveis. O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, também é citado como possível pré-candidato ao governo.

Aqui, além do peso da estatística nacional — 70% de insucesso — há um fator adicional: o protagonismo do interior na definição das eleições estaduais. Em Alagoas, o resultado não se constrói apenas na capital.

Prefeitos, lideranças regionais e estruturas políticas tradicionais exercem influência decisiva.


A eventual saída antecipada da Prefeitura pode ser explorada como quebra de compromisso administrativo, argumento frequentemente utilizado por adversários em campanhas estaduais. Ao mesmo tempo, o prefeito precisaria demonstrar que sua gestão tem capilaridade e aprovação suficientes para dialogar com eleitores fora de Maceió.

A lógica política por trás dos números


Os casos bem-sucedidos — como João Doria e José Serra — são exceções. Ambos converteram projeção municipal em vitória estadual, mas enfrentaram forte questionamento público por interromper o mandato.

A maioria não conseguiu repetir a façanha. Entre as razões mais apontadas por cientistas políticos estão:

Dificuldade de ampliar base eleitoral além da capital;

Desgaste natural da gestão municipal;

Resistência do eleitor ao abandono precoce do mandato;

Maior exposição a críticas e comparações administrativas.

Uma escrita difícil de romper


No Rio, em Pernambuco e em Alagoas, o roteiro se repete: prefeitos bem avaliados avaliam o salto estadual. Mas a história recente impõe prudência.

O levantamento nacional revela que o movimento é mais arriscado do que parece. Popularidade na capital não garante vitória no interior.

Visibilidade administrativa não se traduz automaticamente em maioria estadual.

A eventual candidatura de Eduardo Paes, João Henrique Campos ou João Henrique Caldas colocará à prova essa escrita.

E, até aqui, a estatística tem sido implacável.