Levantamento aponta que 70% dos prefeitos de capitais que tentaram disputar o governo fracassaram nas urnas
Possíveis candidaturas de Eduardo Paes no Rio de Janeiro, João Henrique Campos em Pernambuco e João Henrique Caldas em Alagoas enfrentarão desafio histórico de derrotas na corrida governamental
A decisão de abandonar o mandato de prefeito para disputar o governo do Estado carrega um risco político mensurável. Levantamento nacional mostra que, neste século, 19 prefeitos de capitais optaram por deixar o cargo antes do fim do mandato para concorrer ao Executivo estadual. Apenas seis venceram. Sete em cada dez foram derrotados.
O dado não é apenas estatístico. Ele traduz um fenômeno político recorrente: a dificuldade de transformar popularidade na capital em força eleitoral em todo o Estado.
Rio de Janeiro e Pernambuco no radar
No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes aparece como um dos nomes que podem seguir esse caminho. Gestor experiente e figura conhecida nacionalmente, Paes carrega capital político consolidado na capital fluminense.
Ainda assim, a história mostra que governar uma metrópole não significa, automaticamente, conquistar o eleitorado do interior.
Situação semelhante vive Pernambuco, onde o prefeito do Recife, João Henrique Campos, também é apontado como potencial candidato ao governo estadual.
Jovem liderança e herdeiro de tradição política, Campos teria de ampliar sua influência além da Região Metropolitana para romper a barreira estatística que historicamente desafia prefeitos de capitais.
Em ambos os casos, o dilema é o mesmo: deixar o cargo até abril, cumprir o prazo de desincompatibilização e apostar na construção de uma maioria estadual.
O cenário em Alagoas
Em Alagoas, a discussão ganha contornos ainda mais sensíveis. O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, também é citado como possível pré-candidato ao governo.
Aqui, além do peso da estatística nacional — 70% de insucesso — há um fator adicional: o protagonismo do interior na definição das eleições estaduais. Em Alagoas, o resultado não se constrói apenas na capital.
Prefeitos, lideranças regionais e estruturas políticas tradicionais exercem influência decisiva.
A eventual saída antecipada da Prefeitura pode ser explorada como quebra de compromisso administrativo, argumento frequentemente utilizado por adversários em campanhas estaduais. Ao mesmo tempo, o prefeito precisaria demonstrar que sua gestão tem capilaridade e aprovação suficientes para dialogar com eleitores fora de Maceió.
A lógica política por trás dos números
Os casos bem-sucedidos — como João Doria e José Serra — são exceções. Ambos converteram projeção municipal em vitória estadual, mas enfrentaram forte questionamento público por interromper o mandato.
A maioria não conseguiu repetir a façanha. Entre as razões mais apontadas por cientistas políticos estão:
Dificuldade de ampliar base eleitoral além da capital;
Desgaste natural da gestão municipal;
Resistência do eleitor ao abandono precoce do mandato;
Maior exposição a críticas e comparações administrativas.
Uma escrita difícil de romper
No Rio, em Pernambuco e em Alagoas, o roteiro se repete: prefeitos bem avaliados avaliam o salto estadual. Mas a história recente impõe prudência.
O levantamento nacional revela que o movimento é mais arriscado do que parece. Popularidade na capital não garante vitória no interior.
Visibilidade administrativa não se traduz automaticamente em maioria estadual.
A eventual candidatura de Eduardo Paes, João Henrique Campos ou João Henrique Caldas colocará à prova essa escrita.
E, até aqui, a estatística tem sido implacável.