CÂMARA DOS DEPUTADOS

PT avalia que ano eleitoral impedirá análise de vetos de 'penduricalhos'; PL apoia derrubada

Líderes partidários divergem sobre futuro dos vetos de Lula a benefícios que ampliariam salários acima do teto constitucional

Publicado em 18/02/2026 às 13:24
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Líderes partidários da Câmara dos Deputados têm opiniões divergentes quanto ao destino dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a dispositivos conhecidos como "penduricalhos", que poderiam elevar salários de servidores da Casa para além do teto constitucional.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), declarou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, que acredita ser improvável a análise dos vetos em 2026, devido ao desgaste político do tema em ano eleitoral.

"Acredito que a Câmara não vai derrubar os vetos pelo desgaste público que vai ter. Esse é o primeiro ponto. Acredito que efetivamente no ano eleitoral não vai ter derrubada de veto. O segundo ponto é que o Supremo (Tribunal Federal) indicou ao Congresso regulamentar, legislar sobre essa matéria", afirmou o deputado.

Uczai defende que, caso os vetos sejam pautados, eles devem ser mantidos e, a partir do próximo ano, o Congresso debata regras mais claras sobre os chamados "penduricalhos". "Poderia ter o debate sobre o teto, não neste ano, mas discutir se o teto está defasado ou não e discutir o conjunto. Discutir efetivamente se o teto está de acordo com o valor de um salário de um ministro, de um presidente da República, do ministro da Fazenda. O presente para mim é manter o veto e manter o teto como está, nada acima do teto", completou.

Por outro lado, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a votação dos vetos depende de articulação do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo ele, caso o tema seja pautado, a bancada do PL votará pela derrubada dos vetos de Lula.

"Como esse é um projeto da Mesa Diretora da Câmara, quem deve se manifestar sobre isso é o presidente Hugo Motta. Até o PT votou a favor. Se for do interesse do Hugo Motta, vamos ajudá-lo (a derrubar)", declarou à reportagem.

O parlamentar acrescentou, no entanto, que a prioridade da bancada do PL é a análise dos vetos ao projeto de dosimetria, que poderia reduzir as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Lula vetou 'penduricalhos' que elevavam salários para além do teto

O presidente Lula sancionou o reajuste salarial das carreiras do Poder Legislativo, mas vetou dispositivos que criavam "penduricalhos" e permitiriam salários acima do teto constitucional para servidores da Câmara. A decisão foi publicada nesta quarta-feira, 18, no Diário Oficial da União (DOU).

De autoria da Mesa Diretora da Câmara, o texto previa gratificação que concederia um dia de licença a cada três dias de trabalho, com possibilidade de conversão em dinheiro. Com isso, salários de altos funcionários poderiam chegar a cerca de R$ 77 mil.

Atualmente, o teto constitucional para o funcionalismo público é o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), fixado em R$ 46.366,19.

Também foram vetados trechos que previam pagamentos retroativos de despesas continuadas, por afronta ao art. 169, § 1º, inciso II, da Constituição Federal, além de regras para cálculo semestral de aposentadorias e pensões, consideradas incompatíveis com a Emenda Constitucional nº 103/2019.

Cabe ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), convocar sessão conjunta entre deputados e senadores para votar os vetos. Ainda não há data definida para a reunião, e Alcolumbre não é obrigado a pautar os vetos relativos aos "penduricalhos".