CARNAVAL E POLÍTICA

Desfile com Lula remete a 2006, quando escola com Alckmin e Serra foi rebaixada

Acadêmicos de Niterói homenageia Lula e repete destino da Leandro de Itaquera, marcada por referências políticas em ano eleitoral.

Publicado em 19/02/2026 às 11:10
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A decisão da Acadêmicos de Niterói de homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no carnaval deste ano remete a um episódio semelhante ocorrido em 2006, quando a escola paulista Leandro de Itaquera levou para a avenida alegorias com bonecos do então governador Geraldo Alckmin e do então prefeito José Serra, ambos do PSDB, em pleno ano eleitoral.

Na ocasião, a Leandro de Itaquera apresentou um enredo sobre festas e tradições paulistas, incluindo referências às obras de rebaixamento da calha do Rio Tietê, uma das principais vitrines administrativas dos tucanos em São Paulo. O desfile, realizado no Sambódromo do Anhembi meses antes das eleições, terminou com o rebaixamento da escola para o grupo de acesso. Agora, a Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula, também caiu para a segunda divisão do carnaval carioca.

Um dos carros alegóricos da Leandro de Itaquera trazia bonecos em grandes proporções de Alckmin e Serra, além de um busto do ex-governador Mário Covas e a imagem de um tucano na parte frontal. A apresentação gerou reação do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara Municipal de São Paulo.

Vereadores petistas ingressaram com ação popular na Justiça paulista para tentar impedir o desfile com referências aos tucanos. A bancada também solicitou investigação sobre eventual repasse de recursos públicos à escola e acionou o Judiciário alegando possível infração à legislação eleitoral.

O rebaixamento da Leandro de Itaquera ocorreu ao final daquele carnaval, assim como o da Acadêmicos de Niterói neste ano, ambos após desfiles marcados por referências a figuras do cenário político nacional.

No Rio de Janeiro, no entanto, o rebaixamento de escolas recém-promovidas da Série Ouro para o Grupo Especial é frequente e costuma acontecer já no primeiro ano na elite do carnaval.

Críticas e representações na Justiça

A oposição a Lula já havia criticado, na segunda-feira (16), o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao petista. O Partido Novo anunciou que acionará novamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a inelegibilidade do presidente. A legenda já havia tentado barrar a apresentação.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial, também criticou o petista e afirmou que ele utiliza dinheiro público "para fazer campanha antecipada para ele mesmo". O pré-candidato à eleição deste ano declarou que também pretende entrar com ação contra Lula no TSE em razão do desfile.

A Frente Parlamentar Católica e a Frente Parlamentar Evangélica no Congresso criticaram a apresentação. Ambas as bancadas alegam que o conteúdo exibido desrespeitou a fé cristã e informaram que acionarão o Judiciário e órgãos de controle.

A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ) divulgou nota na terça-feira (17) afirmando que a escola de samba "cometeu prática de preconceito religioso dirigido aos cristãos".

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, minimizou as críticas ao desfile e classificou como "ridícula" a tentativa de transformar a homenagem a Lula em desgaste político.