Janja reage ao rebaixamento da Acadêmicos de Niterói após enredo sobre Lula
Primeira-dama destacou coragem da escola e compartilhou mensagens de apoio após polêmicas e críticas ao desfile.
A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, manifestou apoio à Acadêmicos de Niterói após a escola ser rebaixada do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 18. A agremiação levou para a Marquês de Sapucaí um enredo que homenageava a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em suas redes sociais, Janja compartilhou um trecho do samba-enredo: "Lute para vencer, aceite se perder. Se o ideal valer, nunca desista". Ela também publicou uma imagem de um dos carros alegóricos que trazia um boneco representando Lula e a frase "A arte não é para os covardes".
A Acadêmicos de Niterói terminou o carnaval de 2026 na última colocação do Grupo Especial. Entre os problemas enfrentados, a escola teve dificuldades na dispersão ao final do desfile e recebeu apenas duas notas máximas durante a apuração.
Autorizada a desfilar por não ocupar cargo público, Janja preferiu acompanhar a apresentação da arquibancada, ao lado do presidente Lula. O enredo foi alvo de ações judiciais que tentavam suspender o desfile sob alegação de propaganda eleitoral antecipada. No carro alegórico originalmente reservado para a primeira-dama, a cantora Fafá de Belém assumiu o espaço.
Em nota, Janja explicou que, "mesmo com toda segurança jurídica" para participar, optou por não desfilar "para estar ao lado da pessoa que ela mais ama na vida".
Lula e Janja assistiram ao desfile no camarote da prefeitura do Rio, acompanhados do prefeito Eduardo Paes (PSD), e desceram à avenida para cumprimentar integrantes das escolas. O presidente beijou o pavilhão de agremiações que se apresentaram no domingo: Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira.
Em sua manifestação, Janja classificou a escola como "extremamente corajosa" por "enfrentar tudo e todos" para levar o enredo à avenida. "Essa noite foi uma celebração à cultura brasileira, ao presidente Lula e ao maior espetáculo da terra, que é o desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro", concluiu.
Críticas e ações judiciais
A oposição ao presidente Lula criticou o desfile da Acadêmicos de Niterói já na segunda-feira, 16. O Partido Novo anunciou que irá acionar novamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a inelegibilidade do presidente, após já ter tentado barrar a apresentação.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, também criticou o petista, alegando uso de dinheiro público para "fazer campanha antecipada para ele mesmo". Flávio afirmou que pretende ingressar com uma ação contra Lula no TSE em razão do desfile.
A Frente Parlamentar Católica e a Frente Parlamentar Evangélica no Congresso criticaram o evento, alegando desrespeito à fé cristã e prometendo acionar o Judiciário e órgãos de controle.
A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ) divulgou nota afirmando que a escola de samba "cometeu prática de preconceito religioso dirigido aos cristãos".
Por outro lado, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, minimizou as críticas e classificou como "ridícula" a tentativa de transformar a homenagem a Lula em desgaste político.