CARNAVAL E POLÍTICA

João Caldas critica “política” na Sapucaí, mas é lembrado de patrocínio de R$ 8 milhões de JHC a escola de samba para promover Maceió

Em postagem nesta quinta (19), pai do prefeito de Maceió diz que “ganhou o samba, perdeu a política” ao comentar homenagem a Lula; em 2024, gestão JHC bancou acordo milionário com a Beija-Flor — que terminou em 8º e ficou fora do Desfile das Campeãs

Por Redação Publicado em 19/02/2026 às 16:22
O ex-deputado federal João Caldas Reprodução / Instagram

O ex-deputado federal João Caldas, pai do prefeito de Maceió JHC, publicou nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026) um vídeo nas redes sociais criticando o que chamou de “uso da política” no Sambódromo do Rio de Janeiro. Na gravação, ele se refere ao desfile de uma escola que levou para a avenida uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a narrativa de vida do pernambucano de Garanhuns e sua trajetória até a Presidência.

“Quando o Brizola fez o Sambódromo, foi com o propósito de levar cultura… Não foi para fazer esse tipo de política… Ganhou o samba, perdeu a política”, afirmou João Caldas, defendendo que o espaço da Sapucaí deveria privilegiar a cultura carnavalesca e a “liberdade” da festa.


Homenagem a Lula virou polêmica em ano eleitoral


O desfile que virou alvo de críticas foi apresentado pela Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula e acabou no centro de uma controvérsia sobre os limites entre tributo cultural e propaganda política, com reação de adversários e judicializações citadas pela imprensa internacional.

Na apuração, a escola terminou em 12º lugar, com 264,6 pontos, e foi rebaixada para a Série Ouro, encerrando sua breve passagem pela elite do carnaval carioca.


A contradição apontada: Maceió já bancou “marketing” na Sapucaí


A fala de João Caldas, porém, reacende um debate que a própria política alagoana já travou recentemente: o uso do Sambódromo como vitrine institucional.

Em 2024, a Prefeitura de Maceió, sob gestão de JHC, firmou patrocínio de R$ 8 milhões com a escola Beija-Flor de Nilópolis, para levar à avenida um enredo ligado à capital alagoana, com objetivo declarado de divulgação turística e projeção nacional/internacional do município.

O caso gerou debate político e institucional em Alagoas, inclusive com questionamentos e cobranças por documentos sobre a operação.

Na apuração daquele ano, a Beija-Flor terminou em 8º lugar, ficando fora do Desfile das Campeãs, resultado que voltou a ser lembrado agora diante do discurso “anti-política” feito por João Caldas.


“Ganhou o samba, perdeu a política” — e a disputa de narrativas


Ao defender que “a política deve ser feita em outros palcos”, João Caldas adotou um discurso de preservação simbólica do carnaval como território cultural.
Mas, na prática, críticos apontam que o mesmo Sambódromo que hoje ele acusa de ter sido “ocupado” pela política já foi usado — com dinheiro público — como estratégia de promoção institucional pela gestão do seu próprio grupo político em Maceió.

Com a Acadêmicos de Niterói rebaixada e o tema dominando redes sociais, o episódio amplia a discussão sobre limites, critérios e coerência quando autoridades e grupos políticos tentam, ao mesmo tempo, condenar a politização do carnaval e se beneficiar do alcance do espetáculo.