CPMI do INSS vai cobrar explicações de Vorcaro sobre encontros com Toffoli
Banco Master e STF: proximidade entre banqueiro e ministro será tema central de questionamentos na comissão
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS vai cobrar esclarecimentos de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, sobre encontros presenciais que manteve com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, além da relação de proximidade entre ambos.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que irá apresentar, durante a oitiva de Vorcaro, reportagem do portal UOL que aponta mais de dez ocasiões em que o banqueiro teria se encontrado com Toffoli, relator do processo envolvendo o banco no STF.
Segundo a reportagem, os encontros ocorreram entre 2023 e 2024 e, de acordo com investigadores, indicam uma relação de amizade. A maioria desses encontros teria acontecido em eventos, jantares e festas em Brasília.
Vorcaro deve depor à CPI do INSS na próxima segunda-feira, 23. A audiência já foi adiada algumas vezes; inicialmente, a oitiva estava marcada para 5 de fevereiro, mas foi postergada a pedido da defesa do banqueiro.
Em nota divulgada na última semana, Dias Toffoli declarou não possuir "relação de amizade" com Vorcaro e garantiu que "jamais recebeu qualquer valor" do banqueiro. No entanto, confirmou ser sócio e ter recebido dividendos de uma empresa que realizou negócios com um fundo de investimentos ligado a Vorcaro.
Na mesma semana, o jornal Estadão revelou que Vorcaro se queixou a um interlocutor por ter sido cobrado a efetuar pagamentos em um resort associado a Toffoli. O diálogo faz parte de conversas extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro.
A relação entre Vorcaro e Toffoli deve ser o principal foco de questionamentos dos parlamentares de oposição durante a CPI.
“Fica evidente que Toffoli faz parte do escândalo do Banco Master. Primeiro, escondeu que era sócio do resort ligado aos fundos do Master. Segundo, disse que não conhecia bem nem era amigo de Vorcaro. Agora, temos a revelação de que ele não apenas conhecia Vorcaro, mas era amigo a ponto de convidá-lo ao seu aniversário”, afirma o deputado Kim Kataguiri (União-SP).
“Não é nenhum crime um ministro da Suprema Corte se encontrar com donos de banco, ser amigo de dono de banco. Não é nenhum crime. Errado foi ele não ter se declarado impedido no inquérito ou nas investigações”, pondera a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). “O que falta a ele é isenção de ânimo só por conta disso. Ele errou.”
Damares integra o grupo de parlamentares que pressionam o Senado a pautar pedido de impeachment contra Toffoli.
O pedido se baseia em três itens da Lei de Impeachment: “proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa”, “ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo” e “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.
Cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidir se o pedido será ou não pautado.