Projeto propõe fim da prisão especial para acusados de estupro
Proposta em análise na Câmara dos Deputados prevê tratamento igualitário para todos os detidos por esse crime, independentemente de cargo ou escolaridade.
O Projeto de Lei 6950/25, em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe a proibição da concessão de prisão especial a pessoas presas por crime de estupro. A medida abrange todas as modalidades de prisão — flagrante, temporária, preventiva ou definitiva — e se aplica a todos os acusados, independentemente de possuírem curso superior, cargo público ou mandato eletivo.
Pelo texto, fica vedado a qualquer autoridade conceder tratamento diferenciado, dependência ou cela separada a esses presos. A única exceção prevista é para situações em que houver risco concreto e comprovado à integridade física do detento, mediante determinação judicial.
Fim de privilégios
Atualmente, o Código de Processo Penal garante prisão especial a determinadas autoridades e agentes públicos antes da condenação definitiva. O autor da proposta, deputado Duda Ramos (MDB-RR), argumenta que o estupro, por sua natureza violenta, deve excluir automaticamente qualquer possibilidade de privilégio.
“Nenhum título, diploma ou cargo pode servir de escudo para quem comete ato de tamanha brutalidade”, afirma o parlamentar na justificativa do projeto.
Segundo Duda Ramos, a concessão de tratamento diferenciado nesses casos afronta o princípio da igualdade e pode ser vista pela sociedade como símbolo de impunidade.
Próximos passos
O projeto será analisado de forma conclusiva pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.