SEGURANÇA PÚBLICA

Projeto prevê uso das Forças Armadas contra crime organizado mesmo sem GLO

Proposta permite atuação militar em apoio às polícias estaduais sem necessidade de decreto presidencial de Garantia da Lei e da Ordem.

Publicado em 20/02/2026 às 08:34
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Senado vai analisar um projeto de lei complementar que autoriza o uso das Forças Armadas no combate a organizações criminosas envolvidas com tráfico de drogas, terrorismo, facções e milícias, tanto em cidades quanto em rodovias. Segundo o texto, Exército, Marinha e Aeronáutica poderão atuar em situações graves de enfrentamento ao crime, como apoio às medidas de segurança já existentes, mesmo sem a necessidade de decretação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), como é exigido atualmente.

O PLP 229/2025, de autoria do senador Eduardo Girão (Novo-CE), estabelece que governadores poderão solicitar o apoio das Forças Armadas em situações críticas, mantendo a coordenação e o comando sob responsabilidade do Ministério da Defesa. Os Poderes Legislativo e Judiciário, por meio dos presidentes do Senado, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal, também poderão fazer esse pedido.

De acordo com o senador, a atual exigência de decretação formal da GLO pelo presidente da República para o emprego das Forças Armadas em situações excepcionais representa uma lacuna na legislação. Girão argumenta que a proposta pode fortalecer o pacto federativo e viabilizar uma “resposta rápida e coordenada a ameaças que comprometem a segurança dos indivíduos, a soberania e a integridade da população”.

O projeto altera a Lei Complementar 97, de 1999, que regulamenta o artigo da Constituição referente às Forças Armadas.

“O projeto preserva as competências das polícias civis e militares, mas reconhece que, em determinadas circunstâncias excepcionais, o uso de blindados, equipamentos e efetivos militares pode ser essencial para restabelecer a ordem pública e garantir a segurança das comunidades”, justifica Girão na proposta.

O projeto aguarda distribuição para as comissões do Senado.