INVESTIGAÇÃO PARLAMENTAR

CPMI do INSS cancela depoimento de Vorcaro e convoca representante ligada à Conafer

Audiência marcada para segunda-feira (23) terá depoimento de Ingrid Pikinskeni Morais Santos, suspeita de envolvimento em fraudes milionárias no INSS.

Publicado em 20/02/2026 às 17:51
CPMI do INSS cancela depoimento de Vorcaro e convoca representante da Conafer para esclarecimentos no Senado. Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS cancelou o depoimento de Daniel Vorcaro, previsto para segunda-feira (23), e convocou Ingrid Pikinskeni Morais Santos para prestar esclarecimentos na mesma data. A reunião está agendada para as 16 horas, na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.

Ingrid é vinculada à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), entidade investigada por supostamente receber mais de R$ 100 milhões em descontos indevidos de benefícios previdenciários.

Segundo os requerimentos de convocação, Ingrid é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como operador e assessor do presidente da Conafer. Ela é suspeita de ter recebido recursos de origem ilícita repassados por ele, além de possível participação na ocultação de patrimônio.

Os documentos indicam ainda que o nome de Ingrid aparece em operações financeiras de alto valor, sem justificativa econômica plausível. Ela e o marido também são investigados pela suposta compra e venda de carros de luxo para lavagem de dinheiro proveniente das fraudes.

Banco Master

O depoimento de Daniel Vorcaro, ex-dono do liquidado Banco Master, foi cancelado porque ele se recusou novamente a comparecer ao Congresso Nacional, amparado por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça determinou que Vorcaro, atualmente em prisão domiciliar, não é obrigado a depor na CPMI nem na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Vorcaro foi preso durante a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), sob suspeita de irregularidades no Banco Master. A prisão preventiva foi posteriormente revogada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que manteve outras medidas cautelares.

O Banco Master mantinha acordo de cooperação técnica com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para a oferta de crédito consignado. A CPMI apura possíveis descontos indevidos, falhas de controle e a eventual participação de dirigentes ou parceiros nas irregularidades.