CPMI DO INSS

Oposição acusa base de Lula de tentar blindar Lulinha após revelações sobre Careca do INSS

Parlamentares criticam ações do governo para evitar investigações sobre Fabio Luis, filho do presidente, após denúncias envolvendo o lobista.

Publicado em 03/03/2026 às 09:04
Oposição acusa base de Lula de tentar blindar Lulinha após revelações sobre Careca do INSS Reprodução

Parlamentares da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticaram, nesta segunda-feira (2), a atuação da base governista para evitar que a CPMI do INSS avance em investigações contra o empresário Fabio Luis da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

Na semana passada, a comissão aprovou a quebra de sigilo de Lulinha, apesar de protestos de petistas, que acusaram o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), de suposta fraude na contagem dos votos durante a deliberação de 87 requerimentos. Também foi aprovada a quebra de sigilo do Banco Master e de Daniel Vorcaro.

Entre as medidas aprovadas, destaca-se a investigação sobre o filho do presidente. Segundo revelou o Estadão, Lulinha admitiu a interlocutores ter recebido passagens e hospedagem pagas pelo lobista Antônio Carlos Camilo, o "Careca do INSS", apontado como principal articulador de um esquema de descontos ilegais a aposentados e pensionistas.

Parlamentares citaram a reportagem durante as discussões. "Foi só a gente quebrar o sigilo do Lulinha, curiosamente, e a questão da Anac, do voo dele, deputado Luiz Lima, já interlocutores, segundo o Estadão, confirmam que ele viajou com o Careca do INSS, pago pelo Careca do INSS. Foi só a gente aprovar! Você imagine o que a gente vai pegar mais na frente", afirmou o senador Eduardo Girão (Novo-CE).

O deputado Evair de Melo (PL-ES) também se manifestou: "O Lulinha vem agora admitir que o Careca esteve com ele, pagou suas passagens e suas hospedagens", disse, criticando o esforço do PT para evitar a quebra de sigilo de Fabio Luis.

O governo recorreu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para tentar anular a aprovação do requerimento que determinou a quebra de sigilo financeiro de Lulinha. Na última sexta-feira (27), a mesa diretora da CPMI do INSS enviou ofício ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) com pedido de informações.

O presidente Lula declarou ter orientado aliados a permitir o avanço das investigações, tanto na Polícia Federal quanto na comissão do Congresso. Mesmo assim, a base governista tem atuado para evitar a aprovação de requerimentos considerados sensíveis.

"Então, eu acho que o presidente do Senado poderia ficar isento nessa posição", defendeu o deputado Luiz Lima (Novo-RJ).

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) saiu em defesa de Lulinha e afirmou que o filho do presidente está disposto a colaborar com as investigações, negando qualquer tentativa de blindá-lo. "Importante citar que o senhor Fabio Luis já havia se colocado totalmente à disposição para, antes da quebra de sigilo, colaborar. Portanto, em nenhum momento, qualquer questão relativa ao INSS, desconto associativo preocupa", afirmou. "Aqui não há interesse de nossa parte de impedir que qualquer um seja investigado", completou.