CRÍTICAS AO JUDICIÁRIO

Penduricalhos no Judiciário geram situações 'constrangedoras', diz Oriovisto

Senador denuncia salários acima do teto e questiona ética em casos envolvendo autoridades do Supremo

Publicado em 03/03/2026 às 19:42
Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) Waldemir Barreto/Agência Senado

Em pronunciamento nesta terça-feira (3), o senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) afirmou que o Brasil atravessa um momento "triste, horroroso mesmo", marcado por situações constrangedoras que têm origem em denúncias feitas pelas próprias autoridades do Poder Judiciário.

O parlamentar citou os chamados "penduricalhos" espalhados pelo país, destacando que, segundo ele, milhares de funcionários recebem salários superiores a R$ 100 mil por mês, apropriando-se de recursos provenientes dos impostos. Para Oriovisto, isso configura "uma verdadeira casta de nobres" que vive às custas do erário.

— Não há limite para essa gente. Fazem as próprias regras. E é comum lermos notícias de que o desembargador tal, o procurador tal recebeu R$ 500 mil, recebeu R$ 800 mil. Isso acontece todos os dias na nossa imprensa. Como se não bastasse, no próprio Supremo, temos questões terríveis como essa questão muito difícil do escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes. Legalmente, nenhum problema, mas, moralmente e eticamente, muito complicado, assim como o esquema do hotel, da renúncia do ministro Toffoli em relatar esse caso — afirmou o senador.

Oriovisto também apontou para um "clima de incredulidade", em que a população começa a perder a confiança nas instituições, incluindo o Judiciário, o Executivo e o Legislativo. Ele ressaltou ainda a crescente polarização política e a falta de debate sobre os problemas reais do país.

— E pautas, como o fim da reeleição para presidente da República, não caminham, e tantas outras pautas importantes que poderiam realmente mudar a cara deste país simplesmente não são discutidas. O que se está fazendo, na verdade, é esperar passar a tempestade e esperar que nada aconteça para ninguém que está envolvido nela. Esse é um retrato triste que eu vejo no Brasil de hoje. Eu e muitos colegas que estão aqui pouco podemos, mas a gente pode, pelo menos, dizer que está preocupado e que está tentando encontrar um caminho para fazer alguma coisa, mas está difícil. Está muito difícil.