DECISÃO JUDICIAL

Após ordem de Moraes, Filipe Martins retorna à Cadeia Pública de Ponta Grossa

STF determina volta do ex-assessor de Bolsonaro ao presídio original após transferência sem autorização judicial

Publicado em 03/03/2026 às 20:48
Filipe Martins Reprodução / Agência Senado

O ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins, retornou nesta terça-feira (3) à Cadeia Pública Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, no Paraná, cidade onde residia quando foi preso.

Martins havia sido transferido em janeiro para o Complexo Médico Penal, na Região Metropolitana de Curitiba, sem que a transferência fosse comunicada à Corte. Na última quinta-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou explicações à Polícia Penal do Paraná sobre o procedimento.

No domingo (1º), o STF informou que as informações solicitadas não haviam sido enviadas dentro do prazo, que se encerrou às 17h10 do dia 28. Diante da ausência de resposta, Moraes determinou o retorno do ex-assessor à unidade em Ponta Grossa.

“Embora à Administração Penitenciária incumba a gestão ordinária dos estabelecimentos prisionais, tal atribuição não autoriza a prática de atos que interfiram no cumprimento da pena sem prévia ciência e deliberação judicial. A transferência do réu realizada sem prévia autorização desta SUPREMA CORTE configura indevida mitigação da competência deste Juízo, além de comprometer o regular acompanhamento da execução penal”, justificou Moraes.

A explicação da Polícia Penal do Paraná só foi enviada ao STF em 2 de março. No documento, o órgão argumenta que o Complexo Médico Penal seria um ambiente custodial mais seguro e adequado à situação apresentada.

A corporação também afirmou que não houve comunicação prévia ao Supremo devido à urgência operacional identificada. “Tal circunstância não decorreu de desconsideração à autoridade judicial, mas da priorização imediata da proteção do custodiado em cenário considerado sensível pelas áreas técnicas”, justificou.

Pré-candidato à Câmara, o advogado de Filipe Martins, Jeffrey Chiquini, classificou a determinação de Moraes como ilegal em publicação no X e afirmou que vai recorrer da decisão. Chiquini costuma postar vídeos questionando decisões do ministro nas redes sociais, com grande repercussão entre apoiadores de Bolsonaro.

“Esse presídio para onde o Filipe está indo, em Ponta Grossa, tem capacidade para 250 presos. Há mais de 1.500 detentos, com superlotação. Qual será a segurança do Filipe Martins?”, questionou. “(A Cadeia de Ponta Grossa) é uma triagem, um lugar de passagem, não é para permanecer preso”.

Procurada para comentar a suposta superlotação e a viabilidade de manter a custódia de Filipe Martins, a administração da Cadeia Pública de Ponta Grossa não havia se manifestado até a publicação deste texto. Moraes também foi procurado, por meio do STF, para comentar as condições do réu diante das declarações da defesa, mas também não havia respondido até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.