STF

Mulher de Moraes nega ter recebido mensagem de banqueiro investigado

Viviane Barci de Moraes afirma não ter recebido mensagem de Daniel Vorcaro, contrariando versão do ministro do STF.

Publicado em 09/03/2026 às 07:45
Mulher de Moraes nega ter recebido mensagem de banqueiro investigado Reprodução

Viviane Barci de Moraes , advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ter recebido mensagem do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Na suposta mensagem, Vorcaro questionava: "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?". A negativa de Viviane enfraqueceu a versão do próprio ministro, segundo a qual os prints das mensagens enviadas pelo banqueiro foram armazenadas em pastas junto com os contatos dos destinatários e, posteriormente, encaminhados à CPI do INSS.

No material sob custódia da CPI, o registro da mensagem de Vorcaro aparece como um arquivo armazenado em uma pasta que inclui o contato de Viviane. Em nota, ela afirmou que “não recebeu as referidas mensagens”.

Com isso, as versões de Alexandre de Moraes e de sua esposa mostram-se incompatíveis. A assessoria de comunicação do STF foi procurada para comentar a declaração de Viviane, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

Segundo especialistas, o fato de dois arquivos estarem na mesma pasta criada pelo programa de processamento de dados da Polícia Federal e compartilhado com a CPI não indica automaticamente que haja relação direta entre eles. Isso apenas significa que as "impressões digitais" dos arquivos possuem trechos idênticos, justificando o armazenamento conjunto.

O ministro Moraes se manifestou após reportagem do jornal O Globo informar que a mensagem de Vorcaro, enviada em 17 de novembro de 2025 — data da primeira prisão do banqueiro —, teria como destinatário o próprio magistrado.

'Sem Sentido'

Nesse dia, Vorcaro já tinha conhecimento de que seria alvo de operação da Polícia Federal e acabou detido no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, enquanto tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele alegou que a viagem visava negociar a venda do banco a um grupo estrangeiro, após o Banco Central recusar propostas de compra feitas pelo Banco de Brasília e, posteriormente, pela Fictor.

O ministro Alexandre de Moraes, no entanto, negou qualquer comunicação com Vorcaro. Ele afirmou ainda que uma das mensagens teria como destinatário o senador Irajá (PSD-TO), que, por sua vez, declarou em nota não ter conversado com Vorcaro e classificou a versão como "sem sentido".

Especialistas em tecnologia apontam que a própria estrutura das pastas no programa IPED, desenvolvida há mais de uma década pela Polícia Federal para remoção e análise forense de dados eletrônicos, inviabiliza a versão apresentada por Moraes.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .