Eduardo Leite afirma que legado de Bolsonaro foi trazer Lula de volta ao poder
Governador do RS critica polarização e defende espaço para candidatura alternativa em 2026
O governador do Rio Grande do Sul e pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Leite (PSD), criticou tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (9), durante palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Para Leite, o principal legado de Bolsonaro foi trazer Lula de volta ao Palácio do Planalto.
Leite discursou para líderes de entidades comerciais e empresários, acompanhado pelos governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), ambos pré-candidatos do PSD. Também estiveram presentes o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e o secretário extraordinário de Projetos Estratégicos de São Paulo, Guilherme Afif Domingos.
“O legado de Bolsonaro foi trazer Lula, que estava politicamente inviabilizado, de volta”, afirmou o governador gaúcho. “Talvez o de Lula, se insistir na agenda de divisão, seja trazer o outro lado do grupo político de volta”, disse, referindo-se ao crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais.
Leite destacou que as pesquisas eleitorais devem ser evidenciadas mais pelo "sentimento" do eleitor do que pela intenção de votos. Segundo ele, os levantamentos mostram que “os dois principais protagonistas” da eleição também são altamente rejeitados, o que abre espaço para o surgimento de uma candidatura alternativa.
“A intenção de reproduzir aquilo que o eleitor conhece. E conhece o nome de uma família que tem uma marca, conhece o atual presidente, que vai para sua sétima eleição”, explicou Leite. "É natural que eles tenham hoje liderança. Os concorrentes não conhecem o cardápio público que vai ser colocado a eles no processo eleitoral."
O governador defendeu a possibilidade de dialogar tanto com uma esquerda não lulista quanto com uma direita não bolsonarista. Para ele, ao contrário do passado, quando a divisão entre esquerda e direita era pautada pelo papel do Estado na economia, hoje os candidatos se posicionaram a partir de causas e bandeiras específicas.
Na avaliação de Leite, essas pautas não são inconciliáveis. Ele argumentou que há, no campo da esquerda, não lulista, uma preocupação estratégica com políticas culturais, respeito à diversidade e inclusão. Isso, segundo ele, não impede a aproximação com uma direita não bolsonarista, que defende a segurança pública mais rigorosa, um Estado mais enxuto e maior valorização do empreendedorismo.
Entre as propostas que pretende defender nas eleições deste ano, Leite destacou a necessidade de que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham idade mínima de 60 anos para assumir o cargo.
Leite também afirmou que as políticas sociais não se sustentam se o Estado ampliar gastos sem crescimento econômico capaz de financiá-las. Segundo ele, o aumento das despesas públicas sem expansão da economia tende a gerar endividamento e juros mais altos, drenando recursos que poderiam ser direcionados a investimentos privados. Nesse contexto, defendo um Estado “menos gastador” e mais eficiente no uso do orçamento.
Por fim, o governador gaúcho criticou a ideia de que o governante deveria ser apenas um gestor, e não um agente político. Ele afirmou sempre ter refutado essa visão e argumentou que, por mais ambiciosa que seja uma agenda de reformas e gestão de um governo, maior será a necessidade de articulação política para viabilizar as mudanças.