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Senador obtém assinaturas para abrir CPI contra Moraes e Toffoli por caso Master

Publicado em 09/03/2026 às 14:26
Senador obtém assinaturas para abrir CPI contra Moraes e Toffoli por caso Master Reprodução / Agência Brasil

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) disse que reuniu, nesta segunda-feira, 9, o número mínimo de assinaturas para protocolar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as condutas dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no escândalo do Banco Master. São necessários 27 apoios para protocolar o texto e, até a tarde desta segunda, já eram 29 assinaturas.

Mensagens obtidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que ele mantinha conversas com Moraes. O Estadão mostrou a ligação de um empreendimento de familiares de Dias Toffoli com fundos ligados ao Mestre, de Vorcaro.

O senador diz que continuará a coleta de apoios para protocolar o pedido quando tiver um "número mais seguro".

“Sem obrigações antecipadas, mas com muita firmeza, vamos realizar uma investigação absolutamente necessária para resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições”, disse Vieira. “O Brasil só será uma verdadeira República democrática quando todos forem submetidos ao mesmo rigor da lei.”

A oposição no Senado Federal é quem move a linha de frente contra os dois ministros do Supremo. Apesar disso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, só confirmou o requerimento depois que os 27 apoios mínimos já conseguidos foram obtidos. A assinatura de Flávio foi a 29ª da lista. Flávio vinha sendo cobrado, sobretudo nas redes sociais, para que prestasse seu apoio ao requerimento.

Nesta mesma segunda-feira, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) irá protocolar pedido de impeachment contra Moraes.

Será o décimo pedido de impeachment de ministro do STF protocolado no Senado apenas neste ano. Moraes já foi alvo de um desses requisitos, baseado na revelação do jornal O Globo sobre a existência de um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci, mulher de Alexandre de Moraes.

No dia seguinte deverá haver o décimo primeiro. O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), disse que irá protocolar outro pedido na terça-feira, 10.

Os outros oito pedidos já protocolados no período pedem do impeachment de Dias Toffoli, também com acusações sobre a proximidade do ministro e o banco de Vorcaro.

Segundo a lei brasileira, os pedidos de impeachment de ministros são analisados ​​pelo Senado. Cabe ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), determinar a abertura ou não do processo.

Dados extraídos do celular de Vorcaro revelaram que ele prestou contas a Moraes sobre as negociações de venda do banco e sugeriu diálogos a respeito do inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.

Outras mensagens mostram que Vorcaro consultou Moraes sobre a lista de convidados para um fórum jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. O magistrado determinou que o empresário Joesley Batista, da J&F, fosse "bloqueado" do evento, e Vorcaro liderasse o tema à organização do fórum.

Para manter o sigilo, Vorcaro e Moraes usavam o recurso de visualização único. Por essa razão, as respostas do ministro não estão disponíveis, mas as notas do dono do Mestre encontradas acessíveis no histórico do aparelho celular do banqueiro.

Veja quem assinou a lista solicitando a CPI:

Alessandro Vieira (MDB-SE)

Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)

Eduardo Girão (Novo-CE)

Magno Malta (PL-ES)

Luís Carlos Heinze (PP-RS)

Sérgio Moro (União-PR)

Esperidião Amin (PP-SC)

Carlos Portinho (PL-RJ)

Styvenson Valentim (PSDB-RN)

Marcio Bittar (PL-AC)

Plínio Valério (PSDB-AM)

Jaime Bagattoli (PL-RO)

Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)

Damares Alves (Republicanos-DF)

Cleitinho (Republicanos-MG)

Hamilton Mourão (Republicanos-RS)

Vanderlan Cardoso (PSD-GO)

Jorge Kajuru (PSB-GO)

Margareth Buzetti (PP-MT)

Alan Rick (Republicanos-AC)

Wilder Morais (PL-GO)

Izalci Lucas (PL-DF)

Mara Gabrielli (PSD-SP)

Marcos do Val (Podemos-ES)

Rogério Marinho (PL-RN)

Flávio Arns (PSB-PR)

Láércio Oliveira (PP-SE)

Dr. Hian (PP-RR)

Flávio Bolsonaro (PL-RJ)