Pré-candidatos do PSD minimizam liderança de Flávio Bolsonaro e apostam em crescimento na campanha
Governadores Eduardo Leite, Ratinho Jr. e Ronaldo Caiado avaliam que cenário eleitoral mudará com início da campanha e ampliação do debate público.
Os três pré-candidatos à Presidência da República pelo PSD — Eduardo Leite (RS), Ratinho Júnior (PR) e Ronaldo Caiado (GO) — minimizaram a liderança de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais divulgadas nesta segunda-feira, 9. Segundo eles, o nome escolhido pela terceira via tende a crescer à medida que a campanha eleitoral se intensificar.
Ao lado do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, os pré-candidatos participaram de uma palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na capital paulista, onde apresentaram propostas a líderes empresariais e representantes de entidades comerciais. Em coletiva de imprensa após o evento, destacaram o potencial de crescimento do partido nos próximos meses.
De acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no sábado, 7, Ratinho Jr. aparece com o melhor desempenho entre os pré-candidatos do PSD, ficando atrás apenas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro, ambos com mais de 30% das intenções de voto. Ratinho Jr. registra 9%, enquanto Caiado tem 6% e Leite, 4%.
Para Ronaldo Caiado, o debate público segue focado nos eventos de 8 de janeiro. Ele acredita que, embora seja para o tema central, as pesquisas refletiram essa conjuntura. Caiado defende que os debates são essenciais em disputas majoritárias e tendem a ganhar relevância ao longo da campanha.
"Hoje o Brasil só vive 8 de janeiro. Não se debate temas relevantes", afirmou o governador goiano. "Quando a discussão migrar para educação, saúde, segurança pública, programas sociais e a visão do Brasil no cenário internacional, será possível avaliar o conteúdo de cada pré-candidato."
Eduardo Leite avaliou que não haverá grandes mudanças nas pesquisas até o início da campanha eleitoral. Segundo ele, neste momento, com o debate ainda distante da rotina dos participantes, é natural que os nomes mais conhecidos lidem como interessados de voto.
O governador gaúcho ponderou, entretanto, que a abertura da campanha e o aumento do debate público podem contribuir para uma nova candidatura. Para Leite, as próprias pesquisas já indicam insatisfação expressiva do eleitorado com os dois nomes principais.
“Não há expectativa de grandes alterações até o início oficial da campanha”, disse Leite. "Quando o candidato do PSD foi definido e iniciou uma divulgação mais intensa, o cenário poderá mudar."
Gilberto Kassab destacou que a escolha do candidato do PSD à Presidência pode ocorrer até março, com prazo máximo em 15 de abril. O dirigente reforçou que as pesquisas não devem ser determinantes para a definição do nome do partido.
“A pesquisa reflete o momento, mas seria equivocado tomar decisões com tanta antecedência baseando-se apenas nesses dados”, afirmou Kassab. “A avaliação final será política, reunindo os principais líderes do partido e os pré-candidatos.”
Kassab também reafirmou o apoio à reeleição do governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mesmo que ele não apoie o candidato do PSD à Presidência. Sobre a importância de ter palanque em São Paulo, Caiado ressaltou o número de prefeituras do PSD no Estado, enquanto Leite afirmou que, embora contribua para o desempenho, não é obrigatório para uma candidatura nacional.
Ratinho Jr. deixou a coletiva antes do termo para compromissos em Brasília, mas reforçou que o momento atual das pesquisas não é determinante para o cenário eleitoral.