CRE aprova convite para chanceler Mauro Vieira falar sobre o Irã
Ministro das Relações Exteriores deve esclarecer posição do Brasil sobre conflito no Oriente Médio em audiência no Senado
A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado aprovou, na terça-feira (10), um requerimento para convidar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a explicar a posição do Brasil diante do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. O pedido foi apresentado pelo presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que informou que a audiência deve ocorrer na próxima quarta-feira (18).
Durante a reunião, Trad relatou preocupações transmitidas por embaixadores de países do Golfo Pérsico, com quem se encontrou recentemente. Segundo o senador, o Irã tem realizado ataques a hotéis, portos, aeroportos e refinarias nessas nações, que, até o momento, não têm revidado.
O presidente da CRE reuniu-se com embaixadores de:
- Arábia Saudita;
- Bahrein;
- Catar;
- Emirados Árabes Unidos;
- Kuwait;
- Iêmen.
De acordo com Trad, consulados e postos brasileiros no Oriente Médio atualizam frequentemente alertas sobre meios de transporte para brasileiros que desejam deixar a região. Ele destacou que a CRE mantém contato com o Itamaraty para acompanhar as providências adotadas.
“Já recebi dezenas de manifestações de brasileiros que estão ilhados em um desses países sem conseguir retornar ao Brasil, situação desesperadora, com gente debaixo de bunker para poder se proteger dos ataques”, relatou Trad.
Posicionamento
O senador Esperidião Amin (PP-SC) afirmou que o Brasil não deve “tomar partido” na guerra. Para ele, a política internacional tem sido guiada pela “lei do mais forte”.
“A última coisa que nós devemos fazer é tomar partido, [mas] pedir que parem de brigar, que voltem para o leito das negociações”, defendeu Amin.
Já a senadora Tereza Cristina (PP-MS) criticou a postura do governo federal, classificando-a como “tímida” e “não muito clara”. Ela destacou que o conflito pode prejudicar tanto a importação brasileira de petróleo — já que o Irã tenta controlar o fluxo no Estreito de Ormuz — quanto a exportação de carnes para os países do Golfo, considerados mercados estratégicos para o Brasil.