Projeto propõe política nacional para ampliar acesso de pessoas com deficiência ao esporte
Proposta em análise na Câmara prevê metas, indicadores, financiamento e comitê nacional para garantir participação efetiva e permanente.
O Projeto de Lei 6753/25, apresentado pelo deputado Duda Ramos (MDB-RR), institui a Política Nacional de Orientação, Conscientização e Integração da Pessoa com Deficiência no Esporte. O texto tramita atualmente na Câmara dos Deputados.
A iniciativa visa ampliar o acesso de pessoas com deficiência a práticas esportivas em diferentes níveis: educacional, comunitário e de alto rendimento. O projeto estabelece metas, fontes de financiamento e mecanismos de monitoramento para garantir a efetividade da política.
A proposta prevê que a política seja permanente e executada de forma integrada entre União, estados, Distrito Federal e municípios.
"A inclusão da pessoa com deficiência no esporte não pode ser apenas um gesto simbólico, mas uma política pública vinculante, mensurável e financiada", destacou Duda Ramos.
Baixo acesso ao esporte
De acordo com o Censo de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui 18,6 milhões de pessoas com deficiência. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Comitê Paralímpico Brasileiro, citados pelo parlamentar, apontam que menos de 5% desse público tem acesso regular a atividades esportivas.
"A exclusão esportiva gera perda de qualidade de vida, compromete a saúde e reforça desigualdades", afirmou o deputado.
Meta e indicadores
A meta nacional da política é reduzir em 50% a diferença de participação esportiva entre pessoas com e sem deficiência no prazo de seis anos.
Para monitorar o avanço, serão acompanhados indicadores como:
- taxa de participação em atividades esportivas;
- horas médias de prática;
- permanência dos participantes;
- número de profissionais certificados em esporte inclusivo;
- percentual de instalações esportivas adaptadas.
Os resultados de cada município e unidade da federação deverão ser divulgados semestralmente.
Financiamento
A política contará com financiamento por meio de:
- dotações orçamentárias da União, estados, Distrito Federal e municípios;
- recursos do Fundo Nacional do Esporte;
- convênios e parcerias com entidades públicas e privadas;
- incentivos fiscais.
Do total dos recursos federais destinados à política, 20% serão repassados de acordo com o cumprimento das metas e indicadores por estados e municípios.
Comitê nacional
O projeto cria o Comitê Nacional de Esporte Inclusivo, com caráter deliberativo e composição paritária entre representantes do poder público, entidades esportivas e organizações de pessoas com deficiência.
Estados e municípios também poderão criar comitês locais, assegurando ao menos 50% de representação da sociedade civil.
Voucher Esporte Inclusivo
A proposta prevê ainda a possibilidade de criação do Voucher Esporte Inclusivo, benefício anual destinado a pessoas com deficiência de baixa renda. O recurso poderá ser utilizado para custear transporte, mensalidades ou taxas de participação em atividades esportivas.
Próximos passos
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões do Esporte; de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para se tornar lei, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.