JUSTIÇA

Delegado da PF que indiciou Bolsonaro é nomeado assessor de Moraes no STF

Fábio Alvarez Shor, responsável por investigações contra Bolsonaro, atuará no gabinete do ministro Alexandre de Moraes

Publicado em 10/03/2026 às 12:31
Sem apoio do PT, CPI para investigar Moraes e Toffoli reúne assinaturas necessárias Reprodução / Agência Brasil

O delegado Fábio Alvarez Shor , da Polícia Federal (PF), foi nomeado nesta segunda-feira (9) como assessor do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes . A portaria de nomeação foi assinada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Moraes solícito, no início do mês, a transferência de Shor da PF para seu gabinete. A confirmação depende apenas do trâmite burocrático entre as duas instituições. O delegado foi escolhido devido à sua atuação em inquéritos relatados por Moraes, o que mudou os dois profissionalmente.

Shor foi responsável pela investigação da tentativa de golpe de Estado envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados no governo anterior. Ele também atuou no inquérito dos atos golpistas de 8 de janeiro. Sua atuação se tornou alvo frequente de ataques de figuras da direita, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro , que o ameaçou durante uma transmissão ao vivo.

Em uma live publicada em 20 de julho de 2025, Eduardo insinuou que Shor poderia ser alvo de avaliações dos Estados Unidos e perder o visto devido às investigações conduzidas. O delegado foi o responsável pelo pedido de indiciamento de Bolsonaro por liderar a organização criminosa que planejou o golpe.

"Você da Polícia Federal que está me vendo, um forte abraço. Você também, olha lá, a depender de quem para, já está sem visto, né. Isso é outra coisa que a gente tem que falar. Vou ter que baixar a imagem do Fábio Shor", disse Eduardo Bolsonaro durante a transmissão.

Shor também foi alvo de críticas de advogados que atuaram no julgamento do caso do golpe de Estado, especialmente Jeffrey Chiquini , com quem Moraes protagonizou diversos debates durante a fase de instrução das ações penais.

Chiquini acusou Shor, em diversas graças, de ter produzido um relatório com informações falsas sobre o ex-assessor da Presidência Filipe Martins .

Além dos inquéritos sobre as tentativas de golpe, as investigações sobre a fraude no cartão de vacinação do ex-presidente Bolsonaro e o escândalo das joias sauditas, revelado pelo Estadão. Em todas essas apurações, ele trabalhou sob a supervisão de Moraes, relator dos casos.

O delegado e sua equipe foram responsáveis ​​por identificar, por exemplo, que Moraes havia sido monitorado por golpistas com o objetivo de assassiná-lo.

Especialista em contrainteligência, Shor passou a chefiar, em fevereiro do ano passado, a Divisão de Investigações e Operações de Contrainteligência da PF. No STF, ele deverá atuar como assessor de Moraes, auxiliando em inquéritos sob sua relatoria.