Moraes arquiva inquérito contra Elon Musk sobre suposta atuação em milícias digitais
Decisão do ministro segue pedido da Procuradoria-Geral da República, que não encontrou provas suficientes para manter investigação contra o empresário.
O ministro Alexandre de Moraes arquivou nesta terça-feira, 10, o inquérito que investigava o bilionário Elon Musk por suposta "instrumentalização criminosa" do antigo Twitter, além de suspeitas de desobediência a decisões judiciais, obstrução à Justiça em contexto de organização criminosa e incitação ao crime.
Na última terça-feira, 3, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou o arquivamento do inquérito envolvendo o empresário e dono do X. Segundo o PGR, "as hipóteses criminais aventadas não encontraram lastro probatório suficiente para a sua confirmação".
Para o ministro Moraes, "tendo o Ministério Público requerido o arquivamento no prazo legal, não cabe ação privada subsidiária, nem a título originário, sendo essa manifestação irretratável, salvo no surgimento de novas provas".
No pedido de arquivamento, o procurador Paulo Gonet destacou: "não se logrou identificar comportamento doloso por parte dos representantes legais da provedora que consubstanciasse desobediência a decisões sobre suspensão de direitos, embaraço a investigações de organizações criminosas ou incitação pública ao crime; ao revés, o que se descortinou foram falhas operacionais pontuais que, uma vez notificadas, foram prontamente sanadas pela companhia".
Musk era um dos alvos do inquérito das milícias digitais, que apura a atuação de grupos suspeitos de disseminar notícias falsas em redes sociais. O procedimento foi instaurado em abril de 2024 por Alexandre de Moraes.
Na ocasião, a Polícia Federal afirmou em relatório que "os investigados intensificaram a utilização da estrutura da milícia digital fora do território brasileiro com os objetivos de se furtar ao cumprimento das ordens judiciais e tentar difundir informações falsas ou sem lastro para obter a aderência de parcela da comunidade internacional com afinidade ideológica com o grupo investigado para impulsionar o extremismo do discurso de polarização e antagonismo aos poderes constituídos no País".
No entanto, o procurador Paulo Gonet discordou da avaliação preliminar da PF e, no pedido de arquivamento, ressaltou que "inexistem elementos de informação que apontem para uma resistência deliberada da plataforma em acatar as determinações desta Corte ou do Tribunal Superior Eleitoral".
"As intercorrências relatadas pela autoridade policial, embora tenham permitido o acesso efêmero a conteúdos suspensos, configuram impropriedades técnicas inerentes à gestão de uma rede de dimensões globais, carecendo de intenção fraudulenta", sustentou o PGR.
A defesa de Elon Musk no Brasil, conduzida pelo criminalista Sérgio Rosenthal, declarou que "o pedido de arquivamento dos autos reflete, portanto, a postura correta e colaborativa da empresa, que não compactua, assim como jamais compactuou com qualquer ilegalidade".
Embora tenha acolhido o pedido da Procuradoria, Moraes ressaltou em seu despacho que "a titularidade privativa da ação penal ao Ministério Público não afasta o dever do Poder Judiciário de exercer sua atividade de supervisão judicial".